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Banco da Amazônia empenha R$ 500 milhões no Amazonas

Por Marco Dassori

13 Ago 2019, 15h45

Crédito: Divulgação

Apenas R$ 500 milhões dos R$ 1,73 bilhão disponibilizados pelo Basa (Banco da Amazônia S.A.) para operações de crédito com recursos do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte) no Amazonas, neste ano, foram empenhados em financiamentos ao setor produtivo, no acumulado dos sete meses iniciais de 2019 – o equivalente a 28,88% do total.

Segundo o superintendente regional do Basa no Estado, André Luiz Rodrigues Vargas, ainda assim, a demanda por crédito cresceu em relação ao mesmo período do ano passado e, considerando o atual cenário econômico brasileiro, ficou dentro do esperado pela instituição bancária. 

“[São] bons negócios prospectados já em tramitação interna ou elaboração, para serem apreciados e deliberados pelo Banco da Amazônia SA, no que se refere à viabilidade econômico-financeira e de acordo com a estrutura de capital apresentada”, amenizou.

Houve um incremento de 90,11% na oferta de crédito com recursos do FNO, já que o total disponibilizado em 2018 foi de R$ 910 milhões. A dotação superou de longe o volume para a carteira de crédito comercial do Basa para o Estado no mesmo período (R$ 185,71 milhões), ou mesmo o capital a ser aplicado no Amazonas, a título de Fundo para Infraestrutura (R$ 120 milhões). A procura, no entanto, se mostrou mais fraca ainda do que a deste ano.

Sem detalhar os números da demanda na base de comparação, o superintendente regional do Basa para o Amazonas, disse que houve progressão de 290% no volume de aplicação de recursos do FNO entre os dois períodos, sendo que o valor obtido até então já supera toda a aplicação do exercício anterior. 

“Tivemos um 2015 péssimo, um 2016 ruim e um 2017 menos ruim. Em 2018, conseguimos um resultado um pouco melhor, mas ainda bem abaixo do desejado. Ressalta-se que, até julho de 2019, chegamos com aplicação de recursos do Fundo em 98% dos municípios do Estado, com uma capilaridade de 11 unidades de atendimento, sendo três em Manaus e oito nos municípios do interior do Amazonas”, salientou.

Dotação por segmento

Criado em 1988, o FNO é um dos carros chefe do Banco para operações do gênero, que incluem FMM (Fundo da Marinha Mercante), OGU (Orçamento Geral da União), BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), recursos próprios, da carteira de crédito comercial e do Finep Inovacred (fomento à inovação).

O Fundo Constitucional de Financiamento do Norte financia investimentos de longo prazo, assim como capital de giro ou custeio. Além dos setores econômicos agropecuário, industrial e agroindustrial, também são contemplados com financiamentos da linha de crédito os setores de turismo, comércio, serviços, cultural e infraestrutura. 

No início de 2019, o presidente do Banco da Amazônia, Valdecir Tose, assinou um protocolo de intenções com o Governo do Amazonas para alavancar a aplicação de recursos no Estado, aquecendo a economia regional, com geração de emprego, renda e arrecadações de tributos. 

Do total disponibilizado para investimento no Amazonas, R$ 475 milhões são para o setor de infraestrutura (logística, energia renovável e saneamento), R$ 745 milhões para empreendimentos dos setores de comércio e serviços e R$ 177 milhões para o agronegócio, incluindo os agricultores familiares. Também foram destinados recursos os segmentos de turismo, cultura, educação e biodiversidade.

Capital de giro

Conforme o executivo, não houve mudanças nas regras do FNO ou de outros produtos geridos pelo Banco da Amazônia, ou mesmo lançamentos de novas linhas de financiamento. A maior demanda para os recursos do FNO em 2019 vem dos segmentos de comércio e serviços – em todos os portes de empresas –, seguida pelos setores industrial e de infraestrutura.

A procura se concentra especialmente para obter recursos para capital de giro das empresas, dado o atual nível de endividamento e inadimplência das empresas brasileiras, acompanhado pelo baixo índice de crescimento da economia do país.

Dados da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) apontam que a inadimplência corporativa aumentou 4,02% em todo o país, na comparação de junho com o mesmo mês de 2018. O Sudeste (+6,60%) liderou os números, seguido por Sul (+2,64%), Centro-oeste (1,81%), Norte (1,16%) e Nordeste (0,75%).

A mesma base de dados informa que o crescimento do número de empresas com dívidas em atraso (+1,23%) também foi superior ao dos meses anteriores, na mesma comparação de períodos, sendo esta a primeira alta após três meses seguidos de recuos. 

“Há poucas mudanças em relação aos levantamentos anteriores e os setores demandantes costumam ser os mesmos, com alguns diferenciais regionais. A procura por financiamentos para o agronegócio no Amazonas, por exemplo, costuma ser muito tímida”, encerrou André Vargas.


 

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