Infraestrutura

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Bancada quer o governo do Estado com competência sobre a BR-319

Por Marcelo Peres

05 Fev 2019, 10h12

Crédito: Divulgação

Deputados e senadores da bancada amazonense terão audiência, hoje, com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, em Brasília. Na pauta, está a negociação  para tentar incluir a BR-319 na lista de rodovias federais que receberão R$ 100 bilhões destinados pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) à recuperaçao de rodovias federais nos próximos quatro anos. Em reunião ontem, a bancada amazonense no Congresso definiu os principais pontos a serem a presentados ao ministro. 

As ações definidas durante encontro constam de três pontos que farão parte da proposta a ser entregue a Tarcísio Freitas. Um deles, considerado o mais importante, é que o Planalto delegue a competência de licenciamento e execução do projeto de recuperação da estrada ao governo do Amazonas. O outro é a inclusão da via no pacote de R$ 100 bilhões anunciados por Bolsonaro. “Estamos prontos para reivindicar  de maneira firme e incansável a atenção e os recursos necessários à trafegabilidade dessa via, fundamental para o escoamento de tudo que é produzido em território amazonense”, acrescentou Braga.

Outra medida é que o governo federal repasse R$ 1,2 bilhão, necessários para a conclusão dos 400 quilômetros restantes da BR-319. “Só assim, com objetividade e sentido prático, conseguiremos superar os entraves que dificultam a pavimentação dessa importante rodovia”, disse Braga.    

A não inclusão da estrada (que liga o Amazonas ao resto do País) no pacote de obras foi por falta de prioridades, avaliou o deputado federal Marcelo Ramos (PR), na ocasião do anúncio dos novos investimentos. “Recebemos o apoio da bancada do Amazonas no Congresso para elaboração de um documento que garanta a recuperação da BR-319, que é fundamental para a economia do Estado”, informou Braga.

O deputado federal Marcelo Ramos também confirmou que a bancada de deputados e senadores discutiu, ontem, as medidas a serem levadas hoje ao ministro Tarcísio Freitas. “Decidimos reivindicar que Bolsonaro delegue o licenciamento como também a execução das obras pelo governo do Amazonas”, reforçou ele. “Reivindicamos ainda a inclusão da BR-319 no Plano Nacional de Recuperação de Estradas apresentado pelo Ministério da Infraestrutura”, acrescentou Marcelo Ramos. 

 A BR-319 é alvo de sucessivos impasses judiciais desde os governos anteriores por questões de impactos ambientais. Agora, a esperança para a liberação das obras de recuperação está nas mãos de Bolsonaro que durante a campanha eleitoral demonstrou sensibilidade ao caso. Mas a exclusão da estrada do pacote de obras de recuperação frustrou as principais lideranças políticas e empresariais do Estado. Por questões de prioridades ou não, o certo é que um  dos principais pleitos do Amazonas foi relegado a segundo plano, uma demonstração de que ainda as forças políticas amazonenses têm pouco ou quase nenhum cacife para influenciar nas decisões do governo central, na avaliação de analistas políticos e econômicos.

Segundo o deputado  federal delegado Pablo Oliva (PSL), o único eleito pelo partido de Bolsonaro no Amazonas, a recuperação da BR-319 é o seu principal compromisso com a sociedade do Estado. “Vou lutar arduamente e engrosso a bandeira de todos os nossos parlamentares”, disse.

Para Sidney Leite (PSD), a sua luta pela BR-319 continuará também no Congresso. “É factível, pois o presidente mostrou muita sensibilidade à proposta no último encontro que tive com ele”, afirmou. Para estudiosos do modelo Zona Franca, como o economista e professor José Alberto Machado, se Bolsonaro liberar as obras na BR-319 será mais por pressão da bancada ruralista, interessada em expandir suas fronteiras de plantação de soja em direção à Amazônia. “O agronegócio tem muito tráfico de influência”, avalia.   

O tráfego na BR-319 está suspenso desde meados de janeiro por falta de condições de tráfego. A viação Aruanã, a única que faz o trecho de 853 quilômetros até a cidade de Lábrea, paralisou as viagens de ônibus por causa das péssimas condições da estrada. As operações só devem ser retomadas a partir de maio, dependendo da situação da estrada, cheia de atoleiros e tomada por crateras. Tripulantes de veículos e passageiros são expostos ao perigo de acidentes e à ação de assaltantes. A mata é densa e a região extremamente isolada. E o perigo ronda a todos a todo momento.

 

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