Comércio Exterior

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Balança comercial tem nova queda e confirma retração econômica

Por Marco Dassori

03 Abr 2019, 00h21

Crédito: Divulgação

A corrente de comércio exterior do Amazonas sofreu novo abalo na comparação de março de 2019 com igual mês do ano passado. A soma das importações e exportações totalizou US$ 933.81 milhões, 11,90% a menos do que em 2018 (US$ 1.06 bilhão). Foi a terceira queda mensal seguida nos números extraídos da plataforma digital comexstat, do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

As exportações caíram 10,29%, de US$ 66.37 milhões (2018) para US$ 59.54 milhões (2019), no confronto de março dos dois anos. As importações, por sua vez, sofreram tombo de 11,96%: foram US$ 874.27 milhões em compras no terceiro mês do ano, contra os US$ 993.03 milhões de março de 2018.

No balanço do trimestre, o desempenho também foi negativo, embora em intensidade menor. As compras no mercado estrangeiro neste ano (US$ 2.55 bilhões ficaram 8,27% abaixo do mesmo período de 2018 (US$ 2.78 bilhões). As vendas externas caíram 11,06% na mesma comparação, de US$ 194.10 milhões (2018) para US$ 172.64 milhões (2019).

“Eu não me preocuparia tanto com a queda geral dos números nesse período. Isso geralmente acontece nos primeiros meses do ano, porque os pedidos só costumam chegar com mais força a partir de abril e maio”, amenizou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima.

Exportações latinas

Os produtos mais vendidos pelo Estado no estrangeiro foram preparações para elaborações de bebidas (US$ 21.44 milhões), que avançaram 59,44% em relação ao ano passado (US$ 13.45 milhões), o maior salto apresentado por produtos industrializados na pauta de vendas externas.

Motocicletas com motor de mais de 125 cilindradas (US$ 9.17 milhões) ocuparam a segunda posição, mas venderam menos do que em 2018 (US$ 13.95 milhões). O ferro nióbio ocupou o terceiro lugar, mas avançou 346,32% entre 2018 (US$ 1.36 milhão) e 2019 (US$ 6.07 milhões).  

Os principais destinos para as vendas externas foram Bolívia (US$ 12.06 milhões), Argentina (US$ 11.25 milhões) e Colômbia (US$ 10.50 milhões). No caso da Bolívia, houve alta de 246,55% em relação aos US$ 3.48 milhões do mesmo mês de 2018. Na direção contrária, a Argentina cortou em 44,85% suas compras em relação ao ano passado (US$ 20.40 milhões).

China (US$ 3.15 milhões) e EUA (US$ 3.80 milhões), que ocuparam as primeiras posições nos levantamentos de janeiro e fevereiro, arrefeceram a demanda e ficaram, respectivamente, na quinta e quarta posição do ranking. Os valores contabilizados por ambos, contudo, foram maiores do que os de 2018.

“A Argentina vem reduzindo as compras em virtude de sua crise e das dificuldades habituais do Brasil vender para lá. Como a exportações de manufaturados para a Europa têm se mostrado inviável, empresas como a Recofarma, entre outras da Zona Franca, têm priorizado suas vendas para o mercado latino-americano. E o nióbio deve permanecer na pauta nos próximos levantamentos, pois a demanda da China e do Japão é alta”, explicou Lima.

Insumos em baixa

Os itens mais comprados pelo Amazonas no exterior foram, como de costume, insumos para o PIM (Polo Industrial de Manaus). Partes para aparelhos receptores de radiodifusão e TV (US$ 155.73 milhões) ocuparam a primeira posição, embora o valor tenha sofrido decréscimo de 35,09% em relação a março de 2018 (US$ 239.92 milhões).

Processadores, controladores e demais circuitos (US$ 51.55 milhões) ocuparam o segundo lugar, com incremento em relação a 2018 (US$ 46.43 milhões). Paládio em formas brutas ou em pó foi o terceiro produto mais comprado pelo Amazonas em março, com ganho de 61,74% entre um ano e outro – de US$ 24.99 milhões (2018) para US$ 40.42 milhões (2019).

Os principais fornecedores foram China (US$ 327.57 milhões), EUA (US$ 108.53 milhões) e Coreia do Sul (US$ 84.42 milhões). Na comparação com os valores de 12 meses atrás, houve queda de 13,25% e de 24,23% nas transações para China (US$ 377.60 milhões) e Coreia do Sul (US$ 111.42 milhões), respectivamente. Na contramão, as compras nos EUA (US$ 101.34 milhões) foi maior em 7,09%.

“É natural que Estados Unidos e China liderem o ranking, porque os dois países tendem a se tornar os maiores parceiros globais do Brasil. O paládio é usado principalmente pelo polo eletroeletrônico, entre outros segmentos industriais. E o PIM vem enfrentando dificuldades em produzir e vender em um mercado saturado pelo baixo poder aquisitivo para aquisição de produtos de alto valor agregado. Daí a importância de aumentar as exportações para os países vizinhos”, arrematou o gerente executivo do CIN/Fieam.  

 

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