Comércio Exterior

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Balança Comercial volta a cair no Amazonas em abril, aponta Mdic

As exportações do Estado caíram 28,03% em abril, ao passar de US$ 60.68 milhões (2018) para US$ 43.67 milhões (2019)

Por Marco Dassori

08 Mai 2019, 09h30

Crédito: Divulgação

A corrente de comércio exterior do Amazonas chegou perto de empatar em abril, mas voltou a cair. A soma das exportações e importações não passou de US$ 913.98 milhões, 0,77% a menos do que o contabilizado no mesmo mês de 2018 (US$ 921.09 milhões). Os dados são do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e foram extraídos do portal Comex Stat.

As exportações do Estado caíram 28,03% em abril, ao passar de US$ 60.68 milhões (2018) para US$ 43.67 milhões (2019). Em quatro meses, a queda acumulada das vendas externas foi de 12,41% – de US$ 250.65 milhões (2018) para US$ 219.54 milhões (2019).

No sentido contrário, as importações registraram seu primeiro aumento do ano: totalizaram US$ 870.30 milhões (2019) contra US$ 860.41 milhões (2018), uma diferença de 1,15%. O incremento não foi suficiente para salvar o saldo do acumulado (US$ 3.42 bilhões), que ficou 6,04% menor ao registrado no mesmo período de 2018 (US$ 3.64 bilhões).

Em abril, os principais produtos exportados pelo Amazonas foram preparações alimentícias não especificadas (US$ 15.39 milhões), motos e ciclomotores (US$ 5.42 milhões), e ferro-ligas (US$ 4.18 milhões), entre outros. Diferente dos demais itens, os veículos de duas rodas – que possuem o maior valor agregado – sofreram decréscimo de 67,97% em relação ao mesmo mês de 2018 (US$ 16.45 milhões).

Os destinos preferencias foram Colômbia (US$ 9.63 milhões), Argentina (US$ 7,74 milhões) e Bolívia (US$ 4,25 milhões). Ao contrário dos demais, a Argentina se manteve na lista apresentando recuo (-59,64%) em relação ao volume de compras registrado pelo país andino 12 meses antes (US$ 19.18 milhões).

As cidades amazonenses que mais exportaram em abril foram Manaus (US$ 37.54 milhões), Presidente Figueiredo (US$ 4.18 milhões) e Itacoatiara (US$ 1.78 milhões), em uma lista que inclui um total de sete localidades. Em 2018, a mesma quantidade de municípios locais compareceu no ranking, com a diferença de que Coari e Boca do Acre saíram neste ano, para dar lugar a Borba e Novo Aripuanã.

O gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, lembra que a Argentina, tradicional mercado preferencial da ZFM, está em crise e comprando menos dos demais países. Inclusive as motocicletas ‘made in Manaus’, que costumavam ser o principal artigo de exportação do PIM e do Amazonas.

“Colômbia, Bolívia e Equador estão comprando mais manufaturados da Zona Franca, incluindo motocicletas, preparações de bebidas e eletroeletrônicos. É uma compensação, mas não é o suficiente para reverter os números. Espero que as medidas econômicas do governo argentino, assim como o aumento da procura dos outros países pelos nossos produtos, contribuam para melhorar essa situação no segundo semestre”, ponderou.

Importações em alta

Os insumos que lideraram o ranking de compras do Amazonas no exterior em abril foram partes e peças para televisores. Mesmo assim, o montante sofreu retração de 9,25%, ao passar de US$ 167.32 milhões (2018) para US$ 151.84 milhões (2019). Circuitos integrados (US$ 117.32 milhões) e telefones celulares (US$ 69.47 milhões) vieram em seguida.

A lista de fornecedores do Estado voltou a ser liderada pela China, que ampliou suas vendas em 8,55%, de US$ 272.72 milhões (2018) para US$ 296.04 milhões (2019). EUA (US$ 114.42 milhões) e Coreia do Sul (US$ 86.43 milhões) vieram na sequência. Os norte-americanos reduziram seu volume de vendas em relação a 2018 (US$ 133.58 milhões), enquanto os asiáticos (US$ 76.94 milhões) aumentaram.

A lista de municípios amazonenses que mais importaram em abril incluem Manaus (US$ 852.35 milhões), Humaitá (US$ 8.26 milhões) e Coari (US$ 5.56 milhões), em um total de 11 localidades. Apenas quatro cidades do Amazonas figuraram no mesmo rol, 12 meses antes – Manaus, Coari, Presidente Figueiredo e Itacoatiara.

Para Marcelo Lima, é natural que as aquisições de componentes para televisores tenha sido menor, em função da Copa de 2018 ter alavancado a produção e vendas do eletroeletrônico no ano anterior, fortalecendo a base de comparação. Mas, o gerente executivo do CIN/Fieam avalia que as compras do Amazonas no estrangeiro devem continuar crescendo nos próximos meses.

“A tendência é que as importações acelerem no segundo semestre, em decorrência do aumento de produção do PIM para atender a demanda das festas de fim de ano. A dúvida é se essa expansão não vai impactar as exportações, mesmo na hipótese de uma melhora na Argentina e demais destinos de nossos produtos. O mercado preferencial da Zona Franca sempre foi o doméstico. Tanto é que as nossas vendas externas mal chegam a responder por 2% de nossa produção”, arrematou.  

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