Cultura

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Avalanche de livros amazônicos no mercado

Desde outubro passado a Valer vem editando e reeditando novos títulos e clássicos

Por Evaldo Ferreira

15 Mai 2019, 16h37

Crédito: Evaldo Ferreira

Há poucos anos, quando os e-books se popularizaram (os primeiros são de 1971), começaram a surgir histórias de que estava decretado o fim do livro impresso. Ledo engano. Indo de encontro à maré das livrarias que fecham as portas, o editor Isaac Maciel, proprietário da Editora Valer, desde outubro do ano passado está lançando e reeditando verdadeiras preciosidades da literatura amazônica, tudo porque a procura por esses livros impressos continuam constantes.

“Quando fechamos a Livraria Valer, em 2015, muitas pessoas lamentaram o fato, mas a editora nunca deixou de produzir livros e vendê-los através de nosso site e em outras livrarias”, esclareceu.

Em mais de 20 anos de existência a Editora Valer já editou quase 1.500 títulos.

“Desses, entre 700 e 800 são sempre reeditados porque nunca deixam de ser procurados pelos leitores”, disse. “No final do ano passado demos uma requalificada em nosso catálogo e listamos 100 títulos, a maioria esgotados, outros novos, e com grande procura pelos leitores. Até agora já lançamos 40 e até o final do ano os 60 restantes também serão disponibilizados para a venda”, adiantou.

Em meio ao rio de livros que, semanalmente chegam à sua mesa direto da gráfica para os leitores, Isaac e a escritora Neiza Teixeira conseguiram destacar alguns títulos que, há décadas, se renovam nas prateleiras das livrarias e outros, ainda novos, mas já fazendo sucesso e fortes candidatos a se perpetuar.

“Hoje meu xodó é ‘Trajetórias políticas na Amazônia republicana’, livro organizado pelos coordenadores do Departamento de História da Ufam, reunindo 14 biografias de personalidades da política na Amazônia, entre elas, umas nove do Amazonas como Álvaro Maia, Plínio Coelho, Gilberto Mestrinho, Arthur Reis, Eduardo Ribeiro. São biografias como nunca foram escritas antes, sem elogiar ou desfazer do personagem, mas mostrando a realidade do que ele foi e o que representou para a política de seu estado. Esse livro será lançado no próximo dia 30, no Palacete Provincial”, adiantou.

Os novos escritores

Entre os novos, ‘Zona Franca de Manaus’, tese de mestrado da estreante Thaís Brianezi.

“A Zona Franca de Manaus nunca deixa de ser questionada por alguns estados, sempre correndo o risco de ser extinta ou não. Nesse livro, Thaís aponta adaptações para o modelo e é indicado para quem o critica sem conhecê-lo”, disse.

“Não amanhece o cantor’, de José Angel Valente, é o primeiro título da coleção Cima del Canto, dedicada à edição bilíngue de obras expressivas da literatura espanhola contemporânea. São obras co-editadas com a Espanha, que depois serão vendidos lá, também”, falou Neiza.

“Dois livros de escritores novos são ‘Canumã’, de Itanagé Coelho; e ‘Bayá, kumu e yaí’, de Israel Pontes, o primeiro, indígena munduruku, e o segundo, tuyuka. São os primeiros romances escritos por esses jovens escritores e romances muitos bons nos quais eles narram histórias de seus povos”, falou.

Um dos segmentos literários que mais vende é o infanto-juvenil. Bruna Chíxaro lança seu primeiro livro, ‘Ana Bolena’, depois de ter estado na Inglaterra, conhecido a triste história dessa rainha e feito uma adaptação em seu livro.

“Ainda vamos lançar, este ano, vários títulos infanto-juvenis primorosamente feitos com capa dura, ideal para dar de presente à crianças e jovens, e formar futuros leitores”, acrescentou Isaac.

Thiago, o mais lido

E quem já ouviu falar de ‘um tal’ Thiago de Mello, o escritor amazonense mais lido no mundo, saibam que também os amazonenses são ávidos leitores do poeta da selva.

“O livro mais vendido de Thiago é ‘Estatutos do homem’. Esse livro já está em sua sétima edição, somente pela Valer e, em cada edição são rodados cinco mil exemplares. 35 mil exemplares de um livro, em Manaus? Somente Thiago de Mello”, revelou.

E se o leitor quiser viajar pelas histórias de Manaus, do Amazonas, e da Amazônia, vai precisar de muito tempo para ler os livros que já foram lançados, estão chegando e os que ainda ‘estão no forno’.

‘Manaus história e arquitetura – 1669/1915’, de Otoni Mesquita fala dos prédios antigos da cidade. Foi reeditado com novas informações e fotos inéditas. ‘Íntima fuligem’, o mais recente livro de Astrid Cabral, a mais consagrada poeta amazonense, “considero como sendo o amadurecimento e a coroação de toda a carreira literária de Astrid. Digo que, nessas poesias, ela chegou ao ápice de sua melhor poesia”, acrescentou Issac. ‘História econômica da Amazônia’, de Roberto Santos, escrito na década de 1980, nunca deixou de ser atual, “e é indispensável para quem estuda esse tema”, afirmou.

“Não é verdade que estão lendo menos livros. Talvez mais e-books e menos impressos, mas os leitores estão em alta, principalmente nas áreas técnica e literária produzidas no Amazonas e que só são encontradas nos livros impressos. A demanda por esses livros continua em alta, aqui, no Brasil e até no exterior”, garantiu.

Na sexta-feira, 17, quem desejar acrescentar mais um livro com a qualidade Valer para seu acervo pode prestigiar o lançamento da 3ª edição de ‘Ilusão do fausto – Manaus 1890/1920’, de Ednea Mascarenhas, no Igha (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), a partir das 19h. O livro é uma referência para quem quer se aprofundar no período áureo da borracha

“O objetivo da Valer é prestar um serviço aos leitores, editando livros que lhes sirvam sempre, e pretendemos continuar fazendo isso ainda por muitas décadas”, finalizou.