Opinião

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As 10 universidades mais sustentáveis do planeta: case 1

O termo sustentabilidade tem sido foco de pesquisa

Por Jonas Gomes

28 Abr 2019, 10h53

Crédito: Divulgação

O artigo apresenta as dez universidades mais sustentáveis do planeta, segundo o ranking mundial de Sustentabilidade UI Greenmetric <(http://greenmetric.ui.ac.id/)>.

Com o avanço do aquecimento global, o termo sustentabilidade tem sido foco de pesquisa em qualquer lugar do planeta, mas quais Universidades são internacionalmente reconhecidas por sua excelência acadêmica e pela gestão ambiental dos seus campus?

Para responder a pergunta, a Universidade da Indonésia, como parte de sua estratégia para elevar o seu desempenho internacional, realizou em 16/04/2009 uma Conferencia Internacional sobre desempenho das Universidades, contando com a presença de especialistas em qualidade e avaliação de desempenho educacional, tais como Isidro Aguilo (http://isidroaguillo.webometrics.info/ ), Angela Hou Youg-Chi (https://www.apqn.org/prof-angela-hou-yung-chi) e Alex Usher  (https://carleton.ca/polisci/people/22076/ ).

Naquela ocasião ficou claro no debate que os critérios para avaliar as universidades não davam muito crédito para aquelas que estavam fazendo um grande esforço para reduzir sua pegada de carbono e ajudar no combate ao aquecimento global. Assim, nasceu a ideia de desenvolver um sistema para atrair e avaliar a gestão universitária, a partir de indicadores numéricos que permitissem comparar rapidamente o desempenho, bem como a ajudá-las a enfrentar os problemas de sustentabilidade e impacto ambiental.

Foi dessa maneira que a equipe trabalhou para lançar no ano seguinte (2010) o Ranking de Sustentabilidade UI GreenMetric com o objetivo de fornecer o resultado de uma pesquisa on line sobre a condição atual e as políticas relacionadas a Sustentabilidade dos Campus Verdes das Universidades. O Ranking chama a atenção dos Reitores, Secretários de Educação e Ministros para a necessidade de combater as mudanças climáticas, conservar a água e a energia, reciclar o desperdício e incentivo ao transporte verde. Basicamente eles coletam e processam os dados das Universidades interessadas, convertendo-os em um indicador simples que permite refletir sobre os esforços da organização em seus programas ambientais e sustentáveis.

O legal desta abordagem é a facilidade em participar, a partir de um formulário on line, o processo é relativamente simples e não consome muito tempo. O período de inscrição é aberto entre maio e outubro de cada ano, sendo que em novembro eles processam os dados e em dezembro publicam o ranking em nível internacional.

A abordagem usa indicadores classificados em seis categorias, conforme descrito abaixo:

1o) configuração e infraestrutura

Essa categoria representa 15% do total de pontos e objetiva acionar os participantes da universidade a fornecer mais espaços para vegetação e salvaguardas ambientais, também foca no desenvolvimento de energias sustentáveis. Alguns indicadores são: a taxa da área de espaço aberto em relação a área total; área do campus coberta pela floresta; orçamento da universidade para esforços sustentáveis; etc;

2o) energia e mudança climática

Esta categoria representa 21% do total de pontos, nela é esperado que a universidade aumente esforços na eficiência energética de seus prédios e no cuidado com a natureza e recursos energéticos. Alguns indicadores são: implementação de prédios inteligentes; número de fontes de energias renováveis; o KWh por pessoa, etc;

3o) desperdícios

Esta categoria representa 18% da pontuação total, aqui são avaliados os programas de combate ao desperdício: reciclagem de lixos tóxicos, tratamento do lixo orgânico e inorgânico, redução de papel e plástico nos campus, etc;

4o) água

Esta categoria representa 10% da pontuação total, o objetivo é ajudar as universidades a reduzir o uso da água, aumentar programas de conservação e proteger o habitat. Alguns indicadores são: implementação de programas para conservar e para reaproveitar a água; uso de dispositivos eficientes para o uso da água; tratamento da água consumida, etc;

5o) transporte

Aqui o foco é analisar as políticas da universidade para reduzir ou limitar o uso de veículos motorizados no campus, bem como estimular o uso de bicicletas e ônibus. Esta categoria representa 18% do total de pontos e envolve indicadores como: o número de veículos (carros e motos) motorizados divididos pela população do campus; o serviço de transporte; o número de veículos com zero emissão de poluentes dividido pela população total do campus; área de estacionamento dividido pela área total; programa de transporte destinado para reduzir o limitar a área de estacionamento dos carros e motos; política de caminhos para os pedestres dentro do campus, etc;

6o) educação e pesquisa

Esta categoria analisa as diretrizes da universidade para educar os professores, alunos, técnicos e população sobre assuntos ambientais, visando criar uma sociedade mais preocupada com a sustentabilidade. Neste sentido, também são analisados os projetos de pesquisa desenvolvidos e os artigos publicados pela universidade. Alguns indicadores são: número de cursos de sustentabilidade divididos pelo total de cursos; total de fundos para pesquisa sobre sustentabilidade dividido pelo total de fundos para a pesquisa; número de publicações sobre meio ambiente e sustentabilidade; número de eventos sobre meio ambiente e sustentabilidade; número de organizações de estudantes atuando sobre meio ambiente e sustentabilidade; existência de relatório publicado pela gestão em relação a sustentabilidade. Bem, no dia 19/12/18 saiu o último resultado e entre as 1437 universidades inscritas em 2018, as dez mais sustentáveis do planeta foram:

1o) Universidade de Wageningen (Holanda);

2o) Universidade de Nottingham (Reino Unido);

3o) Universidade de Califórnia Davis (EUA);

4o) Universidade de Oxford (Reino Unido);

5o) Universidade de Nottingham Trend (Reino Unido);

6o) Campus Birkenfeld da Universidade de Umwelt (Alemanha)

7o) Universidade de Groningen (Holanda);

8o ) Universidade de Bangor (Reino Unido);

9o)  Colégio Universitário de Cork (Irlanda);

10o) Universidade de Connecticut (EUA).

Chama a atenção o fato de 40% das melhores universidades estarem no Reino Unido. Além disso, as três melhores universidades do Brasil foram a USP (23o lugar), a Universidade Federal de Lavras (38o lugar) e a Universidade Positivo (99o lugar).

Finalmente, convido os Reitores, os Secretários de Educação e de Fomento a considerarem a hipótese de alocar recursos para identificar as melhores práticas adotadas, a fim de reaplicá-las com adaptação a nossa realidade, pois seria tão bom ver o nome de escolas ou universidades locais se destacando no cenário internacional. Então para ajudá-los, no próximo artigo, apresentaremos outras dez universidades mais sustentáveis do planeta segundo o ranking desenvolvido pela Times Higher Education.

*Jonas Gomes da Silva é vice-chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – jgsilva@ufam.edu.br






 

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