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Antigos, decorativos e cheios de história para contar

Muitas louças de porcelana, quadros dos mais variados artistas e estilos, mesas, cadeiras, estofados e um órgão do século 19 estão em exposição no antiquário

Por Evaldo Ferreira

03 Jul 2019, 20h08

Crédito: Evaldo Ferreira

Quem pensa que lugar de coisas antigas é museu, engana-se. Os antiquários também guardam objetos seculares com a diferença que estes podem ser adquiridos, geralmente por valores para poucos bolsos.

Em Manaus há três anos, completados no mês passado, há pouco mais de uma semana o K Brechó Raridade & Antiquário mudou de endereço, no Parque das Laranjeiras, passando a ocupar um espaço bem maior, inteiramente lotado de peças de decoração em meio a tantas outras de algumas há várias décadas de existência.

“Sou de Mossoró, no Rio Grande do Norte, mas foi morando em Itajubá, Minas Gerais, onde fui uma das pioneiras a comprar e vender antiguidades, e depois nos Estados Unidos, que comecei a me interessar por peças e móveis antigos”, contou Karlene Coelho, proprietária do antiquário junto com o esposo Gedeão.

“A cultura do americano é de comprar tudo, o tempo todo, então eles acumulam muitas coisas em suas casas até chegar uma hora em que precisam se desfazer de uma boa parte do que têm para ganhar espaço. Aí doam muita coisa boa, e muitas vezes antigas, quando ocorre de não se apegar aos objetos da família”, contou.

“Nos Estados Unidos moramos por oito anos, entre 2001 e 2009, e lá aprendemos a comprar, vender e fazer avaliação de todo tipo de objeto, do mais simples ao mais sofisticado”, garantiu.

“Quando voltamos para o Brasil, eu trouxe um container lotado de móveis, e eram de meu uso com os quais eu pretendia decorar minha casa, mas como nosso espaço aqui foi bem menor do que a nossa casa americana, foi o jeito vender algumas peças. Assim, devagar, começou o antiquário, até abri-lo oficialmente. E eu trouxe muita coisa antiga”, lembrou.

Não temos restauradores

Muitas louças de porcelana, quadros dos mais variados artistas e estilos, mesas, cadeiras, estofados e um órgão do século 19, e que ainda está em exposição no antiquário aguardando comprador, foram alguns dos móveis trazidos por Karlene e Gedeão dos Estados Unidos.

“Em Manaus as pessoas não têm o hábito de comprar coisas antigas, e também não temos restauradores que as deixem como novas, porém sem perder o valor histórico”, explicou. “Entre os clientes temos muitos decoradores, que preferem as peças em bom estado”, revelou.

“Como em qualquer negócio, precisamos conhecer muito bem o que estamos vendendo, por isso fazemos pesquisas na internet quando aparece algum móvel ou peça que nos interessa. Também sabemos fazer avaliação”, afirmou.

Apesar do grande espaço do antiquário estar praticamente todo ocupado, Karlene revelou que eles tinham bem mais peças.

“Por isso mudamos para este local maior, mas vendemos mais do que conseguimos comprar. Não queremos vender o que outras lojas de decoração já vendem. Procuramos peças exclusivas e estas não são fáceis de ser encontradas. Compramos muita coisa do Rio e de São Paulo e mesmo daqui de Manaus. Muita gente vem aqui nos oferecer objetos para venda e trabalhamos com consignação porque, dependendo do objeto, ele pode, ou não, vender rapidamente”, esclareceu.

“O que mais nos é oferecido são oratórios e cadeiras de palhinha. Já o perfil desses vendedores é o de pessoas que precisam ir embora de Manaus e não querem levar os móveis”, informou.

Muita raridade se perde

Caminhar pelos espaços na K Brechó é passear por várias décadas, em lugares diferentes, estilos e gostos distintos, examinando móveis e objetos clássicos, um dia inovadores, e contemporâneos.

“Esse órgão Western Cottage pode ser de 1890. Minha filha o trouxe da Califórnia. Tinha um gabinete odontológico, também do final do século 19, cheio de gavetas, e que foi vendido para um médico”, falou.

Mas a vista não consegue ver tudo. Vasos chineses decorados com carpas; louças e mais louças de porcelana; copos de cristal; escrivaninhas onde não se usava um único prego, com as peças encaixadas milimetricamente; mesas e cadeiras Dom José; sofás e poltronas rococó; estatuetas de bronze, um bar chinês inteiramente feito com carvalho e belas imagens de pessoas entalhadas na madeira e móveis, antes comuns nos casarões e hoje apenas decorativos, alvo de espanto devido à sua beleza: magníficas cristaleiras onde, como o nome já diz, eram guardados os objetos de cristal da família; penteadeiras com imensos espelhos e o banco ainda original onde as madames sentavam para passar o pó de arroz; e os chapeleiros, também com grandes espelhos, onde os cavalheiros penduravam seus chapéus e casacos e olhavam-se, ajeitando o bigode.

“É triste quando essas peças se perdem. Já fui avaliar móveis, em casarões aqui em Manaus, mas eles estavam totalmente perdidos, corroídos por cupins. Os pais ou avós morrem e os familiares esquecem desses móveis no casarão fechado. Um dia resolvem vendê-los, mas aí é tarde”, lamentou.

O K Brechó Raridade & Antiquário está localizado na rua Visconde de Utinga, 358 – Parque das Laranjeiras – fones: 9 9191-4801 e 9 9270-5854.                 

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