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Amor e paixão a um 'click' com novos desafios

Por Andréia Leite

30 Ago 2019, 09h39

Crédito: Divulgação

Emoções, inspirações, cores, formas, todos esses elementos em apenas um “click”. Um mercado amplo e muito concorrido que conta com uma gama de possibilidades para quem tem na veia o amor pela fotografia e pretende seguir nessa área. Fotografia social, fotografia de eventos e publicidade, fotografia de moda ou fotojornalismo, são algumas opções que diversificam a carreira. Dominar técnicas e ter um olhar criativo e diferenciado,  é o papel de um fotógrafo profissional. 

Pensando em ter o próprio negócio, o fotógrafo e empresário, Francisco Araujo, atualmente, mantém um estúdio que funciona como produtora/fotografia/filmes e design e emprega uma equipe formada por 11 colaboradores. Mas até conseguir viver 100% da fotografia, ele percorreu um caminho bem desafiador. “Passei a estudar, a pesquisar tudo sobre fotografia, assinei várias revistas de fotografia, das mais simples, às mais técnicas e depois de iniciar fotografando para revistas, reuniões dentro de alguns veículos de comunicação, acabei migrando para o nicho de eventos sociais”. 

Ele percebeu que nesse segmento pagava-se muito bem, mas exigia 100% do fotógrafo,  com técnicas mais apuradas, equipamentos de altíssima qualidade e equipe de assistentes. Não era tão simples quanto parecia, mas ele conta que se encantou em contar história de noivos, de famílias e todos os que estão envolvidos no evento de confraternização.

Francisco Araújo vislumbrou novas possibilidades

O estúdio Francisco Araujo, tem 12 anos de criação e navega por todos os segmentos, empresarial, aniversário infantil, 15 anos, casamentos, e atualmente com o forte em formaturas, mas a especialidade dele é fotografia de casamentos. “Estudei e viajei por vários estados fazendo congresso e workshops para se diferenciar como profissional”. 

Inovação

Ao passo que surgem novas tecnologias e ferramentas, a fotografia também se rendeu às mudanças do tempo e continua avançando. De acordo com Araujo,  a tendência da fotografia digital imprime bem esse panorama e vai continuar crescendo. É o novo boom em tempos de evolução da tecnologia 4.0, gostando ou não, ela chegou e vai permanecer dentro deste mercado.  Ele diz que é preciso acompanhar, estudar e entender que o avanço faz parte de um relacionamento das pessoas dentro desse universo.

“Nunca gostei de celular, mas tive que me adequar também e aprender a usar. O que temos de melhor, smartphones, ipad, drones, e o mercado exige que o profissional esteja antenado”, diz Francisco Araújo.

Mas ele garante, a fotografia em si nunca ficará para trás e isso torna um desafio ainda maior para fotógrafo na era digital. Porque um fotógrafo consegue captar um momento , um sorriso ou uma expressão, coisas que dificilmente sem técnica não é possível. Embora qualquer um possa adquirir uma câmera fotográfica é necessário ter dedicação e estrutura mínima para fazer um material de qualidade. Levar em consideração que o fotógrafo precisa guardar um arquivo, no mínimo, por cinco anos, e nem todo mundo está  preparado para isso. 

“Para quem tem um know how de mercado acaba sendo menos complicado porque chegamos num nível muito satisfatório, então, a tecnologia vem para alinhar e melhorar a qualidade profissional de cada fotógrafo”, ressalta Araujo, complementando que quem  souber utilizar bem essas ferramentas vai se sobressair com toda certeza, porém, existe uma questão, não basta somente saber utilizar essas tecnologias e ter um bom equipamento fotográfico, é importante ter o entendimento dos princípios fotográficos, como enquadramento, regras, reflexos, pintura.  “Em resumo, precisa ter técnica da arte fotográfica. Que precisa de olhar técnico e maior qualidade em cores e resoluções”. 

Nesse radar quem perdeu espaço, em virtude dos avanços tecnológicos, foram os fotógrafos chamados de lambe-lambes. Eles chegaram primeiro nesse mercado. E exercem as suas atividades em praças e vários espaços. Estão sempre presentes, e bem dispostos a oferecer os serviços para quem não contratou fotógrafo, mas a falta de clientela em muitos estabelecimentos têm tornado a prática cada vez mais esquecida.   

Repórter fotográfico

Sandro Pereira, 45, decidiu investir na área e hoje atua como repórter fotográfico. “Eu passei a gostar depois de ver os fotógrafos trabalhando, achei interessante e decidi começar na área”

Atuando como repórter fotográfico em um jornal e em uma agência de comunicação, a área do fotojornalismo é onde ele se sente em casa. Mas ressalta que sempre fez outros trabalhos na fotografia, como ensaios e aniversário.

Sandro lamenta perda de força no mercado jornalístico

Sandro lamenta que o mercado perdeu força e que poucas empresas ainda prezam pelo profissional de fotojornalismo. “Muitas redações não possuem mais repórter fotográfico. Agora, basta saber usar uma câmera fotográfica que eles contratam. Hoje não estão preocupados com a imagem, mas precisam delas”. 

Outro detalhe observado por  Sandro, é que a era digital tornou a profissão obsoleta. “Esses "portais" acham que podem pegar tudo da internet. Na verdade, além da morte da profissão, existe a morte do jornalismo também”, desabafa. 

De acordo com Pereira,  a única coisa que ainda está salvando a profissão, são as agências de notícias, as que ganham vendendo as fotos, e dão o devido valor para a profissão. Principalmente as de esporte, que geralmente só aceitam profissionais.

Então, meu conselho é que se a pessoa tiver interesse em trabalhar na área, vá por esse caminho, por que é a única saída hoje para essa profissão sem reconhecimento e com um futuro incerto.

Amor pela fotografia em todo tempo

Djalma vê mercado em franca expansão

Também atuando no fotojornalismo, há 29 anos, Djalma Junior, 53, conta que o primeiro trabalho que o instigou a ser fotógrafo e tornar um profissional foi ao ser chamado para fazer alguns trabalhos em um partido político. O convite resultou em registros dos eventos que aconteciam naquele período e a partir daí, começou a “tomar gosto” pela profissão, tendo fotos publicadas em impressos no Congresso Nacional, em Brasília.  

Com experiência em diversos jornais, revistas entidades e órgãos, ele comemora o portfólio e a experiência que adquiriu ao longo dos anos. Atualmente ele realiza trabalhos de fotografia acompanhando eventos externos e internos que envolvem todo o sistema governamental em uma secretaria.

Ele garante que o mercado fotográfico nos seus nichos de atuação estão em franco  crescimento no cenário mundial. “Todos precisam de um fotógrafo para registrar e arquivar  momentos marcantes, seja documental, comercial, ou social”.

Para quem pretende exercer a função de fotojornalista ele recomenda estudar bastante para que se torne um profissional diferenciado no mercado e bem capacitado, “ter um feeling para o trabalho que será executado sempre pensando na melhor imagem para o cliente independente da função que irá exercer”. 

Direitos autorais

Em tempos de tecnologia que não restringe captar imagens por meio do celular, muitas empresas trabalham com o uso da imagem sem autorização, especialmente na internet. Isso viola o direito autoral do fotógrafo. No Brasil, a fotografia tem proteção garantida pela Lei de Direitos Autorais - 9610/98, especificamente no Artigo 79. 

Carreira mapeada

Área de atuação 

O campo de atuação para fotógrafos é amplo: ele pode atuar como autônomo (pelo status de MEI), em empresas de jornalismo, jornais, revistas, agências de publicidade, em centros de documentação  e em instituições públicas, por meio de concursos.

Média salarial 

A profissão de fotógrafo não possui um salário mínimo regulamentado no Brasil. Uma dica é pesquisar em associações e sindicatos da área, que costumam publicar pisos salariais para a categoria, bem como tabelas de preços para orientar os profissionais autônomos.

Perfil

A profissão exige algumas habilidades. Quem deseja seguir carreira de fotógrafo profissional precisa ter técnica e criatividade, noções de relacionamento e bons conhecimentos de equipamento fotográfico e informático.

Onde estudar

Para se tornar um profissional de fotografia, existem várias possibilidades. Uma formação específica em fotografia é preferível, mas não obrigatória. Vários cursos estão disponíveis O curso pode ser encontrado em faculdades particulares e instituições de educação profissional. Entre as diferentes opções estão Bacharelado em fotografia, Cursos Superiores de Tecnologia em Fotografia, Cursos livres de curta/média duração e Bacharelado em jornalismo ou publicidade

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