Economia

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Amazonense usa 13° para pagar dívidas

Por Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br

24 Nov 2016, 00h00

 

Com altas taxas de desemprego e endividamento das famílias, 72% dos brasileiros devem usar o 13º salário para saldar dívidas revela pesquisa de Hábitos de Consumo para Natal e Final de Ano da Boa Vista SCPC divulgada na última quarta-feira (23). Entre todas as regiões, o Norte ficou em primeiro lugar com 76% dos entrevistados garantindo que vão pagar contas com o dinheiro extra. Segundo especialistas, o Amazonas não deve ficar atrás e boa parte da população deve começar o ano novo com o nome limpo na praça. Até final de 2016, o pagamento do 13º deverá injetar aproximadamente R$ 2 bilhões na economia amazonense. Para o economista da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, de fato o maior volume do salário extra deverá ser usado para quitar dívidas dos trabalhadores. "Pela primeira vez os índices de consumidores inadimplentes marcaram números preocupantes acima de dois dígitos e as pesquisam revelam que o 13° não deve ser aproveitado para a compra de presentes de Natal. A maioria dos consumidores pretende usá-lo para quitar suas dívidas e limpar o nome na praça", observa. Na avaliação de José Fernando, a liquidação das contas pendentes pode ser positiva para a economia por representar que o consumidor ficará livre para fazer novas compras. O comércio espera um crescimento modesto nas vendas de fim de ano em relação ao mesmo período de 2015. O economista ainda conta que além de quitar dívidas, muitas pessoas devem guardar o dinheiro para pagamentos de contas tradicionais de início de ano como IPVA, IPTU, matrícula e compra de material escolar.

Sobre o aumento na inadimplência, o presidente da Assembleia Geral e do Conselho Superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas) Ismael Bicharra revela que aproximadamente 50% da população brasileira está nessa situação. Ele reforça que, boa parte do 13° salário deverá ser usado para a quitação de dívidas.

"A população não tem o costume de dever e tentará quitar suas pendências para começar o ano com crédito novo", comenta. Segundo o levantamento da a Boa Vista SCPC, do porcentual de 72% dos brasileiros, 56% vão quitar dívidas, 16% vão guardar o dinheiro para as contas de início de ano e somente 13% vão poupar ou investir o montante do 13º. O porcentual foi calculado a partir da parcela de 74% das 700 pessoas entrevistadas que disseram que vão receber o pagamento neste ano.


Entre as regiões

A região Norte ficou em primeiro lugar com 76% dos entrevistados garantindo que vão pagar contas com o dinheiro extra. Em seguida o Centro-Oeste (65%), Nordeste (58%), Sudeste (55%) e Sul (53%). Segundo a pesquisa, o Norte também é a região em que os consumidores tem maior dificuldade em guardar a renda extra, 52% disseram não poupar nada do benefício. Já 49% das pessoas do Sudeste afirmaram que não vão economizar o 13° salário.

Com relação às pessoas que devem poupar o valor do pagamento, apenas 9% disseram guardar a totalidade do 13º. Outros 26% devem conseguir guardar até 30% do valor e 17% apontaram que vão poupar de 30% a 50% do benefício. Já 48% disseram que não vão poupar nada, proporção mais elevada que em 2015 (44%). A pesquisa ainda informou que, entre a divisão por classes sociais, 66% das pessoas das classes D e E tem intenção de pagar dívidas com o salário extra. Na classe C, a porcentagem é de 48% e nas classes A e B, 21% das pessoas devem limpar o nome na praça.




Cenário local do 13°

Segundo estimativas do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), as empresas e o setor público vão pagar R$ 1,57 bilhão com o 13º salário no Amazonas até dezembro. No total, 612 mil trabalhadores receberão o pagamento, uma queda de 3,1% em relação ao ano passado, quando registrou 631 mil assalariados no mercado formal. Até final do ano, o benefício deverá aplicar cerca de R$ 2 bilhões na economia local, um aumento de 1,6% se comparado ao ano passado. Em 2015, o valor foi de R$ 1,87 bilhão.

Do total de amazonenses que tem direito a receber o pagamento, 612 mil (66,8%) são empregados formais. Dentro desse grupo, os empregados domésticos com carteira de trabalho assinada somam 16 mil (1,7%). Os aposentados ou pensionistas da Previdência Social (303,826 mil de pessoas) correspondem a 33,2% do total. Em relação aos valores que cada segmento receberá do total do benefício, os trabalhadores dos setores público e privado com carteira assinada correspondem a 76,8% e receberão R$ 1,57 bilhão no Estado. Aposentados e pensionistas do INSS equivalem a 23,2% e receberão R$ 476 milhões e empregados domésticos com carteira de trabalho correspondem a 0,8% do total e receberão R$ 15 milhões.