Agronegócios

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Amazonas ganha abatedouro pioneiro de aves

Por Evaldo Ferreira

25 Mai 2019, 11h59

Crédito: Evaldo Ferreira

Nunca a avicultura esteve tão em alta no Amazonas como agora. Em dez anos o setor cresceu 137%. No ano passado foram comercializadas 1.462 milhão de caixas de ovos, ou 526 milhões de unidades produzidas por 327 criadores, de acordo com dados da Adaf (Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas), distribuídos por Manaus, Rio Preto da Eva, Iranduba, Manacapuru e Itacoatiara, segundo o Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas).

Foi de olho nesses números que o empreendedor Ivo Aluízio Stinghen inaugurou, na manhã de ontem, o Abatedouro de Aves Santa Mônica, o primeiro abatedouro de aves do Amazonas, numa fazenda, no quilômetro 19 da BR 174.

“Uma galinha, quando atinge um ano de idade, reduz drasticamente a postura de ovos, então chegou a hora de ser abatida para consumo porque o custo de mantê-la com ração não compensa mais”, explicou Ivo.

Na fazenda de Ivo ele mantém um coqueiral com 2.000 pés da palmeira, sendo um dos abastecedores Manaus.

“Há dois anos comecei a montar, devagar, o abatedouro, porque como era uma atividade até então inusitada no Estado, tive que me ater às regras. Foi uma longa e árdua jornada, mas valeu a pena”, comemorou.

“A própria Adaf, pelo fato de o abatedouro ser o pioneiro no Estado, teve que se adaptar, e adaptar, o novo empreendimento para que pudesse ser regularizado e obtivesse o SIE (Selo de Inspeção Estadual)”, completou Juliana Prado, gerente de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Adaf.

De posse desse selo, Ivo poderá colocar o seu produto em todos os estabelecimentos comerciais (feiras, mercados e supermercados) do Estado.

Capacidade de 60 mil aves/mês      

“As galinhas que vamos trabalhar são as regionais. Não as caipiras, criadas nos terreiros, mas aquelas produzidas em grande escala nas granjas da Região Metropolitana de Manaus. O abatedouro tem capacidade para abater 60 mil aves/mês e vamos começar atingindo o mercado de Manaus, para depois chegar aos demais municípios”, adiantou.

O primeiro fornecedor de aves para o abatedouro Santa Mônica será a Granja São Pedro, no km 3, também na BR 174, por sinal, uma das grandes produtoras de ovos do Amazonas com 720 unidades/dia, distribuídos para todos os 62 municípios do Estado.

O processo desde que as galinhas chegam ao abatedouro, até a hora em que saem embaladas, prontas para o consumo, leva menos de 24 horas.

“Ao chegar, elas serão colocadas nessas gaiolas para repouso. Depois disso, seguem para o setor de abate”, contou.

“O animal é manuseado de uma forma que não fique estressado antes de ser abatido. Nesse aparelho, ela recebe um choque na coxa, que a deixa atordoada. Em seguida é feito o corte manual da jugular”, informou.

Depois de abatida, a galinha é colocada numa escaldadeira, numa temperatura de 65º para facilitar a soltura de suas penas. Após esse processo, vai para a depenadeira, uma máquina que tirará todas as penas da ave.

Depenada, a galinha segue para o próximo setor onde será eviscerada, cortada e embalada.

“Nesse setor as tripas são separadas do fígado, da moela e do coração, partes estas bastante apreciadas por muitas pessoas. As tripas podem ser utilizadas para a produção de linguiça, mas esse é outro processo que colocaremos em prática mais pra frente quando pretendemos produzir linguiça de frango apimentada. Por enquanto essas tripas serão descartadas, junto com as penas, para a produção de compostagem e posterior produção de adubo para os coqueiros”, revelou.

Serve a outras duas cadeias

Após permanecer em água gelada por alguns minutos, a carcaça da galinha será trabalhada de duas maneiras: ou será mantida inteira, ou cortada em pedaços.

“Embalada a vácuo, a galinha é colocada na câmara frigorífica onde será disponibilizada para o comércio em três apresentações: resfriada inteira, congelada inteira ou congelada e cortada (na bandeja). Aí vamos atender a demanda dos clientes”, disse.         

A partir de segunda feira o Santa Mônica já estará abatendo uma média de 300 a 500 galinhas/dia, abastecendo feiras, pequenos e médios supermercados.

“Um abatedouro de aves, como o pioneiro Santa Mônica, é muito importante para o Amazonas, pois disponibilizará para a população um produto com qualidade, sabidamente manuseado dentro das normas de higiene”, garantiu Haruo Takatani, veterinário da Adaf e presidente do Conselho de Medicina Veterinária do Estado.

“Um empreendimento como esse, do Ivo Aluízio, vem servir a duas outras cadeias da avicultura no Amazonas, a de corte e a de postura, que com esse abatedouro, fecham o ciclo na produção e comercialização de aves dentro da regularização”, destacou Meyb Seixas, zootecnista da Coordenação de Pecuária da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas).

O Abatedouro de Aves Santa Mônica está aberto às negociações com outras granjas na BR 174, km 19, ramal do Areal. Informações: 9 9204-6800.

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