Comércio

COMPARTILHE

Alta da moeda americana impacta o comércio importador em Manaus

Por Andréia Leite

21 Mai 2019, 09h15

Crédito: Divulgação

Mantendo um patamar de R$ 4,10, a moeda americana tem representado um impacto negativo para o mercado de importação e já interfere na compra de quem investe em produtos comercializados nos EUA. Desde que a alta do dólar se acentuou, o proprietário da loja virtual @claritaimports, Esdras Dantas, sentiu um impacto na compra dos produtos na última viagem. “Viajamos com frequência. E a medida que vamos tendo dinheiro em caixa, vamos repondo em dólar. Mas ficou muito além do valor”, conta Esdras ao lembrar que na última viagem, no mês passado o dólar estava cotado em R$ 4,15.

A insegurança têm tornado os negócios bem difíceis, já que ele e a esposa, precisam diminuir a margem de lucro para o cliente e tentam segurar o mesmo valor dos produtos. “Tivemos um aumento no valor das compras em torno de 10% entre fevereiro e abril. Em certos produtos os valores oscilam bastante. E apesar da alta preferimos perder um pouco, do que deixar de vender”, diz Esdras, afirmando está preocupado, já que o segmento sobrevive em função do dólar. E a elevação da moeda, afeta diretamente os valores das passagens, hospedagem e outras despesas.

A proprietária da Delux Comestic, Juliana Brasil, explica que as sucessivas elevações da moeda, travaram as compras e atingiram em cheio os negócios. “Está muito complicado. Na minha última viagem, em fevereiro, com muito custo, comprei o dólar a R$ 4,10, e agora, tá bem mais inviável eu viajar para repor os produtos”. Ela declara que para fugir da alta, tem feito pedidos para as amigas que viajam trazerem alguns produtos. “Se dependermos de outros meios para pedir o produto, de navio, por exemplo,  é muito pior. O cliente quer esperar o mínimo de tempo possível”. Juliana reitera ainda que não é apenas a alta do dólar que dificulta o mercado, as taxas e fretes também sofrem impacto. “Fica inviável viajar no momento. Eu vou esperar o dólar baixar. Não tem jeito”, frisou.

A diminuição na compra do dólar,  nas lojas de câmbio também apontam uma queda de mais de 50%. O valor da moeda está sendo vendida a R$ 4,32, compreendendo o IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários). Segundo o proprietário da Cortez Câmbio e Turismo, Mário Cortez, orienta que quem não tem necessidade de viajar por enquanto, espere baixar para comprar. “Já existe a cultura de elevar o valor da moeda norte-americana e depois ela tem queda. É natural”, afirma.

Para o empresário Mário Cortez, a condução dos rumos das propostas de reformas no Congresso, pode consolidar o valor da moeda americana num patamar menor. “Essa oscilação é em função do cenário político mesmo. Isso torna o mercado inseguro e pessimista”, ele acrescenta que já enfrentamos outras crises e o mercado conseguiu se recuperar.

Projeções

“Compreender a dinâmica de uma moeda estrangeira exige atenção de dois aspectos os internos e os externos, o dólar é a moeda mais demandada (procurada) em todo mundo por  ela é aceita na maioria das transações internacionais, é normal seu valor seja superior às outras moedas”, explica o economista Edberto Rodrigues.

Ele avalia que a cotação elevada da moeda no Brasil é causada nos últimos meses pela alta da taxa de juros americana, que faz com que os investimentos naquele país se tornem mais atraentes, com isso, os dólares brasileiros tendem a migrar para lá. “A escassez de moeda americana aqui, faz a sua cotação aumentar, esse cenário se intensifica com os números da economia americana,  com um crescimento mais alto do que o previsto a menor taxa de desemprego da década, entre outros”. Para o economista, embora para a grande parte da população o aumento do dólar encarece os produtos importados, para os importadores profissionais esse aumento pouco influencia, pois estes profissionais em sua maioria possuem operações na bolsa de valores que minimizam essas flutuações, uma espécie de seguro contra a alta do dólar. Nos próximos meses com a diminuição dos juros nos estados unidos e com a provável aprovação da reforma da Previdência é esperado a descida do preço do dólar no Brasil.

Fechamento

Na segunda-feira o dólar comercial fechou praticamente estável, com leve alta de 0,07%, cotado a R$ 4,105 na venda. Esse é o maior valor em oito meses, desde 19 de setembro, quando a moeda valia R$ 4,124, em meio às preocupações com a eleição presidencial.

 

Veja Também

Economia

Alta no dólar pesa no bolso

25 Sep 2018, 00h00