Opinião

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Alemanha dá baile no Brasil em Educação e Pesquisa

Também é comum lembrar da queda do muro de Berlim e das cervejas

Por Jonas Gomes

15 Mai 2019, 17h28

Crédito: Divulgação

Conheça um país que reduziu seu orçamento militar e continua investindo forte na educação e em P&D.

A Alemanha é conhecida pelo bom desempenho do seu futebol e por fatos históricos envolvendo a ascensão e declínio do maluco do Adolf Hitler, líder político que conseguiu influenciar jovens e adultos para pegar em armas, visando tornar a nação grande, o que foi um desastre. Também é comum lembrar da queda do muro de Berlim, das cervejas e dos produtos made in Germany, tais como os da marca Audi, BMW, Porsche, Faber-Castell,Volkswagen, etc. O fato é que a Alemanha saiu arrasada da 1a e 2a guerras, mas este povo conseguiu aprender com os erros e dar a volta por cima, sendo hoje um dos países mais competitivos do planeta. Então, vejamos algumas curiosidades e indicadores desta nação:

1o) produtos curiosos que a Alemanha exporta

Pesquisa da agência financeira Vexcash mostrou que o país é campeão em valor exportado de 50 produtos, alguns dos quais nem são de lá, sendo apenas beneficiados, processados ou engarrafados, tais como:

a) o chocolate em barras ou blocos maiores de 2 Kg, cujo valor exportado em 2015 chegou a US$ 2 bi. O país exportou cacau em pó doce no valor de 56,7 milhões de dólares em 2015;

b) o café verde não processado é um dos produtos em que a Alemanha é o maior entreposto, sendo importando por empresas que têm armazéns na região portuária de Hamburgo e de lá eles exportam para outros países. Por lá também há uma forte indústria de torrefação, uma vez que o café é uma das bebidas preferidas dos Alemães;

c) hóstias, isso mesmo, um produto conhecido por quem frequenta a igreja católica, pois então, por lá a hóstia serve de base para alguns tipos de bolacha de natal, o país é campeão de exportação seguido por EUA e França;

d) chucrute e pepinos em conserva são exportados e a região de Spreewald, perto de Berlim, é tradicional produtora de chucrute.

2o) desempenho dos indicadores globais

e) décimo quinto país mais competitivo do planeta

Segundo o IMD World Competitiveness Ranking de 2018, a Alemanha ficou na 15a posição em competitividade global, ocupando o 11o lugar na categoria infraestrutura, 12o lugar em desempenho econômico, 19o lugar em eficiência governamental e também em eficiência  empresarial. Neste ranking Brasil ficou no 58o lugar;

f) décimo oitavo país mais competitivo digitalmente

Segundo o IMD World Digital competitiveness ranking, a Alemanha ficou na 18a colocação em adotar e explorar tecnologias digitais para transformar práticas governamentais, modelos de negócios e a sociedade em geral, enquanto que o Brasil se classificou na 57a posição;

g) décimo colocado em talento mundial

Segundo o IMD World Talent Ranking, a Alemanha ficou no 10o lugar na capacidade de desenvolver, atrair e reter profissionais altamente qualificados. Neste ranking o Brasil levou peia ficando na 58a posição;

h) quarto lugar em melhor país

Segundo o Best Countries <https://www.usnews.com/news/best-countries/germany >, levantamento realizado pela US News & World em parceria com o BAV group e The Wharton School of the University of Pennsylvania, em 2019 a Alemanha ficou no 4o lugar dentre 80 países. O ranking leva em conta 65 atributos classificados em 9 grupos: aventura (2%), cidadania (15,88%), influencia cultural (12,96%), empreendedorismo (17,7%), patrimônio (1,13%), impulsionadores econômicos (14,36%), abertura para negócios (11,08%), poder (7,95%) e qualidade de vida (16,77%). Aqui o Brasil ficou na 28a posição.

i) quarto lugar como melhor país para a educação

A US News & World e os parceiros também avaliam os melhores países para a educação, a partir de um levantamento da percepção global que utiliza uma pontuação, a partir de três pilares: sistema de educação pública bem desenvolvido, qualidade da educação e atendimento nas universidades. Neste ranking a Alemanha ficou em 4o lugar, enquanto que o Brasil ficou na 33a posição.

Um outro relatório sobre a Educação na Alemanha publicado em 22/06/2018 pelo Ministério Alemão da Educação e Pesquisa, aponta alguns números: 17,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens adultos foram matriculados em escolas alemãs; 94% das crianças entre três e seis anos de idade frequentavam o pré-escolar ou jardim de infância; 31% dos estudantes com 15 anos ou mais obtiveram um diploma do ensino médio ou grau equivalente; 6% dos estudantes deixaram o ensino médio sem receber um diploma – em 2015, esse número era de 5,8%; 17% receberam um diploma superior.

Mas nem tudo são flores por lá, pois o relatório também apontou que os jovens com origem migratória e aqueles de famílias de baixa renda estão menos propensos a avançar na hierarquia educacional. A educação nas áreas rurais também se mostrou deficiente em comparação com regiões urbanas. Uma das conclusões foi que aqueles que desfrutam de formação educacional têm mais chances de encontrar melhores empregos e ganhar mais. Também concluiu que há a necessidade de investir mais nos professores;

j) primeiro lugar no National Brand Index

Em 2018, pela 4a vez a Alemanha ficou em 1o lugar no National Brand Index, uma pesquisa feita sobre a reputação de 50 países, desenvolvida pelo Sr. Simon Anholt e hoje aplicada pela IPSOS, envolvendo cerca de 20.224 entrevistas on line com pessoas acima de 17 anos de 20 países. Nela os Estados são avaliados em seis critérios: exportação, governança, turismo, investimentos/imigração, cultura e população.

Bem, nada disso aconteceria por lá sem forte investimento em educação e pesquisa. Para se ter ideia, anualmente a Alemanha tem investido cerca de 92 bilhões de Euros (hoje cerca de R$ 409,27 bilhões) apenas em P&D e no dia 03/05/19 a Ministra da Educação e Pesquisa <https://www.bmbf.de/en/index.html>, Anja Karliczek anunciou que o Governo Federal e os Estados germânicos investirão 160 bi de Euros (R$ 711,78 bi) no ensino superior e na pesquisa científica entre 2021 e 2030. Em média, o investimento representa 2 bi de Euros a mais por ano, em relação a 2019. A decisão veio após meses de debates entre o Governo Federal e os Estados para definir o plano de investimentos no ensino superior na próxima década. O investimento se divide em 41,5 bilhões de euros para a melhoria do ensino superior, em especial por meio de contratos de trabalho por prazo indeterminado para professores e perto de 120 bilhões de euros para centros de pesquisa não universitários.

Diante do exposto, conclui-se que a Alemanha, nação conhecida como líder da revolução da Indústria 4.0, com apenas 14 Ministérios, está dando um baile no Brasil não apenas em Educação, P&D, mas em vários outros indicadores. Para começar, enquanto na Alemanha tem-se uma Doutora e pesquisadora em química quântica comandando a nação, nos últimos anos o Brasil tem sido legislado e governado por profissionais políticos que se quer chegam a concluir uma especialização ou mestrado, razão pela qual fica fácil entender os motivos pelos quais legisladores e governantes historicamente co-responsáveis pela crise, aceitarem fechar escolas, contingenciar e até cortar sem piedade recursos bilionários da Educação, C&T&I. Resta saber até quando a população vai aceitar passivamente ser enganada por políticos que enriquecem sem ter compromisso real com o futuro de nossos filhos.

*Jonas Gomes da Silva é Vice Chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – jgsilva@ufam.edu.br






 

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