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Alagados no comércio tradicional com subida das águas do Rio Negro

Por Andréia Leite

07 Jun 2019, 08h44

Crédito: Andréia Leite

Com o nível do Rio Negro, marcando 29,17 metros, nesta quarta-feira (6), de acordo com números do porto de Manaus, já é possível observar a subida das águas em algumas ruas do Centro da capital. A preocupação já impacta alguns comerciantes da área que temem prejuízos.

Elson de Freitas diz que o problema é recorrente

O proprietário de uma empresa de estivas, Elson de Freitas, lembra que no ano passado o nível de água em torno daquela área, era bem menor. O cenário traz à tona o receio de ter que gastar com tapumes e arcar com a perda de mercadorias, além de adotar medidas para minimizar o impacto de todos os anos. “Todos os anos é a mesma coisa. Os efeitos são ruins. Eu espero que este período não se estenda. O nível sobe em ritmo acelerado”, conta.

Osvaldo Mendes disse que até segunda ainda não havia alagação

Osvaldo Mendes, outro comerciante da área, teme que a água avance e chegue até a sua loja. Ele também afirma que o nível da água sobe rapidamente. “Segunda-feira, não tínhamos nem sinal de água aqui nas redondezas, hoje, está desta forma”.

A cheia de 2012, considerada a maior da história na capital, segundo o CPRM (Serviço Geológico do Brasil), é tida como referência para todos os comerciantes que amargaram grandes prejuízos, mas afirmam que estão otimistas e torcendo para que logo o período estabilize.

De acordo com a gerente de hidrologia do CPRM, Jussara Cury Maciel, a previsão da cheia para este ano, segundo o intervalo de cálculo da CPRM, é 29.33 metros. e que a cota registrada nesta quinta-feira, é a cota máxima de 2019. “Considerando que o Alto Solimões já começou a baixar, é provável, que tenhamos mais duas semana de subida do Rio Negro em Manaus”, prevê.

Ela ressalta que a partir da cota de 29 metros, que é tida pela Defesa Civil como cota de emergência, o centro já sofre esse impacto por ter mais proximidade com rio e suas construções estarem numa cota topográfica mais baixa.

Outra situação que favorece a subida das águas na área em torno do Mercado Adolpho Lisboa, são considerados aqueles localizados com proximidade de igarapés, pois a drenagem das águas pluviais também contribui com o impacto da cheia na cidade.

O empresário Reginaldo Falcão, proprietário de uma distribuidora no Centro, declara que a situação diminui o fluxo de pessoas na área e cria um grande congestionamento no trânsito, porque as ruas são tidas como principais saídas para outros locais. “É um problema recorrente. É preciso adotar medidas que minimizem essa situação. A gente abastece a capital e o interior. Os nossos ribeirinhos que são os nossos clientes em potencial estão sendo os mais atingidos e isso gera impacto, gera prejuízo e atinge em cheio o movimento”, desabafou.

Alerta

A Prefeitura de Manaus decretou no início da tarde de hoje, Situação de Emergência em Manaus. O Diário Oficial do Município (DOM) publicou na edição do dia 5/6, o decreto 4.440, que declara situação anormal caracterizada como emergencial, em áreas atingidas pela cheia, comprovadas pela Declaração Municipal de Atuação Emergencial (Demate) e pelo Formulário de Informação de Desastre (Fide), do Sistema de Informações de Desastre-S2ID, Mapa ou Croqui das Áreas Afetadas.

A partir de agora, a Prefeitura de Manaus terá as condições de promover ações de combate aos danos causados pela enchente dos rios Negro e Amazonas, pelo prazo de 180 dias. O decreto autoriza, ainda, a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, da Casa Militar, a desencadear o Plano Emergencial de Resposta aos Desastres.

A necessidade de decretar a Situação de Emergência é definida quando o rio atinge a cota de 29 metros, alcançada na última segunda-feira, 3/6, quando o prefeito Arthur Virgílio Neto anunciou a medida. Conforme o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a cota máxima pode variar entre 29,18 metros a 29,33 metros.

“O decreto possibilita que, caso necessário, solicitemos recursos do governo federal, sendo também a ferramenta jurídica que libera o encaminhamento do Aluguel-Social”, explicou o prefeito. “Vamos reforçar tudo que já vem sendo feito e, além da criação de pontes, vamos ver o trabalho de vacinação, de prevenção a moléstias, dar toda a assistência a essas pessoas, dentro daquilo que podemos fazer”, reforçou Arthur.

Operação ‘SOS Enchente’

Para decretar situação de emergência, o prefeito levou em consideração o Relatório Técnico da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil – Sepdec da Casa Militar, que evidencia um cenário de calamidade, provocado pela enchente dos rios Negro e Amazonas, com reflexos em diversos municípios do Amazonas e em Manaus, além da iminência de ocorrência de desastre natural e humano em diversas áreas do município.

Conforme o monitoramento da Defesa Civil de Manaus, os bairros mais afetados pela cheia são: São Jorge, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Educandos, Presidente Vargas, Mauazinho, Tarumã, Raiz, Betânia, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa, Puraquequara, além de algumas áreas das zonas rural e ribeirinha.

“Com o decreto, a gente inicia a terceira fase da operação ‘SOS Enchente’ que é continuar com o monitoramento e verificar, nas áreas passíveis de alagações, as casas que já estão alagadas e também a construção de pontes sobre pontes, que é a elevação das pontes permanentes que estão alagadas e, com isso, damos continuidade aos nossos trabalhos, iniciados ainda em janeiro deste ano”, explicou o secretário-executivo de Defesa Civil, Cláudio Belém.

De acordo com o decreto, o município de Manaus poderá promover a desapropriação, por utilidade pública, de propriedades particulares comprovadamente localizadas em áreas de risco intensificado de desastres, conforme o disposto no Art. 5º do Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de julho de 1941 e, durante o processo de desapropriação, serão consideradas a depreciação e a desvalorização das propriedades localizadas em áreas inseguras.

Além disso, o decreto estabelece que, sempre que possível, essas propriedades deverão ser permutadas por outras situadas em áreas seguras, para o competente processo de desmontagem das edificações e de reconstrução em locais seguros.

 

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