Polo Industrial de Manaus

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Acordo com metalúrgicos é fechado pelas indústrias do PIM

02 Set 2019, 18h25

Crédito: Divulgação

As negociações entre patrões e empregados nos segmentos metalúrgico, eletroeletrônico e naval do PIM (Polo Industrial de Manaus de Manaus) chegaram ao fim. Após um impasse que durou três meses, sindicatos representantes dos dois lados da mesa bateram o martelo nesta sexta (30), definindo a sorte de 87 mil trabalhadores.

Pelo que ficou acertado entre as partes, as fábricas do polo eletroeletrônico com mais de 1.500 funcionários concederão reajuste de 5% a seu pessoal e plantas industriais com contingente menor terão aumento de 4,7%. Os valores incluem a reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (+3,16% no acumulado dos 12 meses encerrados em julho), mais 1,84% e 1,54% de ganho real, respectivamente. 

No caso dos metalúrgicos e do polo naval, as correções foram de 3,16% a 4,64%, dependendo do porte e atividade da empresa – montadoras de motocicletas estão no topo da lista. O percentual que corresponde à correção pelo INPC, acrescida de ganho real não superior a 1,46%, na melhor das hipóteses. A data base das categorias é em 1º de agosto.

“Levamos em conta a inflação do próximo mês para fechar o acordo. O aumento vai gerar mais R$ 250 milhões na folha do Distrito Industrial, um dinheiro que fica no Amazonas, ajudando a rodar a economia”, comemorou o presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas), Waldemir Santana.

As negociações incluíram também o PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que totalizará R$ 192 milhões, pagos por 196 fábricas do Polo Industrial de Manaus. De acordo com Santana, dependendo da empresa, o benefício corresponde à faixa de 1,5 a três salários mínimos a mais para o trabalhador a cada ano, sendo que algumas fabricantes do polo eletroeletrônico já anteciparam 60% desse valor. 

Crescimento ou recuperação

Antes do acordo, os trabalhadores queriam índice de reajuste de 7,16%, o que incluiria reposição pelo acumulado do INPC no acumulado, além dos acréscimos de 3% de ganho real e de 1% de produtividade. As empresas, por outro lado, acenavam com a reposição da inflação pelo índice do IBGE.

O Sindmetal-AM justificava sua proposta argumentando que, apesar das idas e vindas nos indicadores do setor, projeções de entidades como a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) e a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) sustentavam alta de dois dígitos para 2019. 

Já os sindicatos patronais respondiam que o momento não é de crescimento, mas de recuperação da crise dos últimos quatro anos, não sendo possível dar ganhos reais, já que as empresas ainda tentam engatar uma retomada que não chega para a indústria. 

Os números do IBGE dão um panorama do setor. A produção industrial subiu 1,8% em junho sobre o mês anterior, após a recuperação de maio. Na comparação com junho de 2018, a expansão foi de 5,4%, mas os acumulados do semestre (-0,7%) e de 12 meses (-2,5%) seguem no vermelho.

De janeiro a junho, apenas cinco segmentos fecharam com alta. Entre as linhas de produção das categorias em negociação, apenas a de outros equipamentos de transporte (o polo de duas rodas) seguiu esse caminho e cresceu 8,9% sobre o mesmo período do ano anterior. Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, assim como máquinas, aparelhos e materiais elétricos, amargaram recuos acentuados.

“Acordo possível”

Vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo argumentava que, para atender essa reivindicação, as empresas teriam de cortar ainda mais nas margens de lucro e/ou perder competitividade e mercado, com reflexos na produção e nos empregos. 

O dirigente foi um dos representantes patronais à frente da mesa de negociações. Junto a ele estava o presidente do Cieam e do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco. Conforme Azevedo, não foi possível para as indústrias ir além para atender reivindicações especificas da categoria, a exemplo de creche, auxílio funeral e taxa de lazer, entre outros benefícios trabalhistas.  

“Não foi o melhor acordo para as empresas, mas foi razoável. Felizmente não tivemos greves, apesar dos protestos e paralisações temporárias. Vamos esperar agora que as coisas se encaminhem da melhor forma possível para encerrarmos um ano melhor em 2019”, finalizou Nelson Azevedo, da Fieam. 

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