COMPARTILHE

ARTIGO: 10 BILHÕES DE DÓLARES

Caso escrito em números, esse valor deve se escrever assim:10.000.000.000 US$. Sim, meus caros amigos, é muito salário mínimo mesmo

Por Yehuda Hochmann

08 Out 2012

 

Caso escrito em números, esse valor deve se escrever assim:10.000.000.000 US$. Sim, meus caros amigos, é muito salário mínimo mesmo. Estaríamos muito contentes de poder informar aos nossos leitores que esse dinheiro, oriundo da riqueza do petróleo, foi invertido em construir escolas, hospitais e bibliotecas, por exemplo. Mas, não é o caso.
Estamos falando do dinheiro que o governo do Irã reconheceu nesta semana ter enviado, até agora, ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, para ajudá-lo na campanha militar contra os que se rebelaram contra ele, cansados de sua ditadura, uma rebelião na qual se contam já 30.000 mortos num ano e meio de luta. Sem contar os milicianos enviados pelas milícias iranianas e do Hezbolah, braço libanês do Irã.
A agonia da Siria só vai piorar, já que aos grupos de rebeldes que realmente cansaram da ditadura hereditária de Assad juntaram-se grupos de terroristas que aproveitam o caos reinante para os seus próprios interesses. Grande parte do país caiu na anarquia, e estamos vendo como o processo da Líbia se repete. O governo central cai e o país não consegue se organizar em algum tipo de governo mais ou menos aceitável, ficando dividido em cantões ou grupos de milicianos, ou tribos armadas, ou tudo misturado.
De primavera árabe, nem falo. Do inferno na Terra, com muitas variantes, podemos falar tranquilamente. Estamos vendo como dois países procuram dominar a região como potências locais – o Irã shiita, mais fanático se possivel, e a Turquia sunita, menos fanática por assim dizer, mas fanática de qualquer jeito. Nada positivo poderá sair de nenhum dos dois.
Interessante seria saber se os líderes desses países leram alguma vez a Bíblia. Nesta época do ano, os judeus, no mundo inteiro, e obviamente em Israel, festejamos a Festa dos Tabernáculos, uma das festas mais importantes na Bíblia Hebraica. Para lembrar as cabanas nas quais habitaram os nossos antepassados quando atravessaram o Deserto do Sinai, durante uma semana as refeições da família são feitas em cabanas provisórias, refúgios frágeis diante das inclemências do clima.
Como toda Festa Bíblica, Succot (Tabernáculos) tem varios significados, porém um deles acho importante em especial para o nosso artigo deste domingo. Um dos conceitos básicos desta festa é que tudo é temporário, passageiro. Seja o judeu rico na sua mansão de luxo, seja o humilde num apartamento modesto, todos são iguais durante esta semana, todos devemos nos lembrar que a nossa passagem pelo mundo é curta, muito curta mesmo, nada levaremos conosco. Somos apenas nómades que pelo mundo passam, alguns deixando melhores memórias, alguns deixando lembranças de coisas ruins e fatos vergonhosos, alguns deixando esperanças, palavras, monumentos, até mesmo fé, porém, com certeza absoluta, sem nada levar quando daqui partirmos.
Obviamente, ler a Bíblia não é a solução. Aplicar na vida diária o que a Bíblia ensina é bem melhor. Sem dúvida alguma, poucos, pouquíssimos, fazem isso no mundo de hoje. Mas, com certeza, nem Saddam Hussein nem Gadaffi leram a Bíblia, e o Assad tampouco. Pelo menos a parte histórica que a Bíblia ensina bem poderia servir para todos esses indivíduos e outros semelhantes.