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A obra gigante de Rubens Belém

Há quase 40 dias o artista plástico trabalha naquela que é, até agora, sua maior obra de arte

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

07 Nov 2019, 20h07

Crédito: Evaldo Ferreira

 

Uma obra de arte chama a atenção não importa o tamanho. O quadro da Mona Lisa, por exemplo, mede apenas 77 cm x 53 cm e é o mais famoso do mundo. Avesso a essa comprovação, o artista plástico Rubens Belém está terminando (até sábado, dia 9 ela deve estar pronta) aquela que até agora será sua maior obra: um mural de 5 m x 45 m pintado na parte interna do muro do Icbeu (Instituto Cultural Brasil Estados Unidos), na av. Joaquim Nabuco.

Rubens Belém é parintinense e no próximo ano completará 20 anos como artista profissional, tendo se consolidado como pintor de quadros, entre seus pares, pelas expressivas obras que produz. São telas onde o artista retrata o ribeirinho e o índio amazônicos pintados em cores vivas e fortes. Detalhe: Rubens Belém não usa pincel, somente espátula, o que torna a confecção de sua arte ainda mais difícil.

Ano passado Rubens Belém teve um dos quadros escolhido para a seleta exposição permanente na galeria do Icbeu.

“Este ano fui convidado a expor na ‘Exposição Coletiva – MAO 350 – Protagonismos Visuais’, que aconteceu entre julho e setembro, no Icbeu, e reuniu quadros de 41 artistas”, lembrou.

Assim que Rubens chegou para a vernissage da MAO 350, lhe disseram que o diretor-presidente do Icbeu, o professor Luis Fabian Barbosa, queria falar com ele.

“Fui até o diretor que, de ‘sopetão’, explicou que queria que eu pintasse um painel num dos muros do Instituto. Fiquei maravilhado, afinal, já tinha um quadro na galeria, havia sido convidado a expor na MAO 350 e agora me era solicitada uma obra gigantesca, um mural. Nem dormi naquela noite, de tão alegre que fiquei”, riu.

Rubens Belém está finalizando seu mural de 5 m x 45 m pintado no muro do Icbeu
 

Acostumado a gigantes

Fazer grandes pinturas para Rubens Belém não é problema. Há 25 anos ele trabalha no Departamento de Artes do Colégio Dorotéia, também na av. Joaquim Nabuco, onde produz a arte de agendas, convites e folders, e pinta enormes painéis para os eventos do colégio. Nas horas vagas, trabalha nas suas telas. A imensa sala do artista é um verdadeiro ateliê com quadros espalhados por todos os lados.

“Além de abertura de letras e cartazes informativos, ao menos três vezes por ano eu pinto murais com 8 m x 12 m, para as festas do Dorotéia, então, fazer figuras em proporções gigantescas não me é difícil”, contou.

No dia seguinte à abertura da MAO 350, Rubens foi até o muro, tirou fotos do espaço, realizou medições e criou no computador as imagens que iria pintar no mural.

“A única exigência que o diretor fez, foi que o tema deveria ser amazônico, e eu o atendi. Levei o projeto para ele, que fez algumas pequenas alterações e aprovou a arte. No dia seguinte comecei o trabalho”, falou.

Hora no chão, hora no andaime, das mãos habilidosas do parintinense foram surgindo os contornos de um menino kaiapó, a floresta amazônica, dois pescadores de pirarucu, arara, onça, tucunaré, garças, araras e, encerrando o painel uma índia karajá com um sauim de coleira na cabeça.

“O Luis Fabian pediu que eu desse um destaque para a onça pelo fato de o felino representar a Amazônia, e o sauim de coleira também foi uma sugestão, já que o macaquinho é o símbolo de Manaus”, disse.

Para o trabalho, Rubens deixou de lado a espátula e está usando o pincel mesmo.

“Aqui tem que ser pincel. Com espátula eu levaria uma eternidade para acabar”, revelou. “Depois, eu marquei um prazo para concluir tudo: 40 dias, mas acabaram entrando até algumas noites”, lembrou.

 

Um trabalho inédito

“Cada espaço no muro foi calculado dentro de um determinado tempo. Se eu via que iria furar aquele tempo, tinha que entrar pela noite para não extrapolar o prazo”, lembrou.

E assim o mural foi surgindo, a cada dia uma cena amazônica, pintada com tinta acrílica à base d’água.

“Essa tinta é a melhor que tem. Ao menos durante um ano as cores originais vão se manter, faça chuva ou faça sol. Quando os tons começarem a enfraquecer, é só dar uma camada de verniz próprio para parede e elas voltarão a ficar vivas”, ensinou.

E os dois filhos de Rubens foram imprescindíveis no trabalho do pai. O mais velho, Rubens Belém Jr., 23, e o mais novo, Juan, 18, ajudaram na ampliação dos desenhos no muro. Coube a Rubens dar as cores.

“Nunca fiz um trabalho como este, não apenas pelo tamanho, mas porque é o mais colorido e com maior diversidade de símbolos amazônicos numa mesma obra”, garantiu.

Com 99% da obra pronta, Rubens Belém e os filhos contam as horas para a verem totalmente concluída. Apesar de ficar na parte interna do Instituto, parte do mural pode ser visto por quem passa na rua.

“O diretor Luis Fabian disse que vai inaugurá-la com um grande evento. Será mais um motivo para eu me emocionar. Qual artista não quer ver sua obra reconhecida e admirada?”, indagou.

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