Opinião

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A democratização dos bancos no Brasil

José Luiz criou o cheque personalizado, que só existiam nos EUA

Por Aristóteles Drummond

28 Abr 2019, 13h31

Crédito: Divulgação

 A biografia Walther Moreira Salles – O Banqueiro-Embaixador e a Construção do Brasil, de autoria do jornalista Luis Nassif, veio realmente preencher uma lacuna no período que vai dos anos 50 aos 80, na história política e econômica do Brasil. Tivemos ali um homem público que veio a se revelar notável empresário.

Começou ocupando importantes funções públicas, embora herdeiro de uma Casa Bancária,depois banco, fundada por seu pai em Poços de Caldas, sul de Minas. Walther ganhou presença pessoal internacional, prestígio, foi Embaixador por duas vezes e foi casado, numa das vezes, com uma mulher de referência na elegância e na projeção internacional, Elisinha Moreira Salles, mãe de três de seus quatro filhos.

Natural que, diante de tal personalidade, nascido na mesma cidade de Nassif, alguns exageros sejam cometidos. No entanto,  há reparos sem prejuízo da importância de sua presença na vida nacional como empresário e homem dotado de real espírito público. Mas quero aqui, neste outono da vida, testemunha ocular da história, prestar meu depoimento sobre o que vi e vivi na área do sistema bancário.

O livro exalta os feitos de Walther e de seu quase sócio Amador Aguiar, o criador do gigante Bradesco. Aliás, outro notável do setor privado, que emprestou seus séricos à sociedade ao arrumar as finanças da cidade de São Paulo, como secretário de Fazenda do dr. Adhemar de Barros.

Ocorre que o primeiro banco moderno, inovador, diria até ousado, no uso da publicidade e na integração com a sociedade foi o Banco Nacional de Minas Gerais, do mesmo porte dos citados, fundado por Magalhães Pinto, estadista que governou Minas, que de presidiu a Associação Comercial de Minas e exerceu mandatos parlamentares. E o fez a partir do Rio de Janeiro, onde era a sede de fato do banco, entregue a seu sobrinho, o genial José Luiz Magalhães Lins.

José Luiz criou o cheque personalizado, que só existiam nos EUA, construiu o primeiro centro de computação para atendimento de uma empresa, o crédito pessoal, o apoio à cultura, ao cinema, às editoras e às primeiras galerias de arte do Brasil, que puderam vender quadros com financiamento. Este gênio só não teve a dimensão internacional e presença na vida pública do ilustre biografado por Nassif. Mas, em termos de sistema bancário, é um destaque muito superior de outros notáveis de seu tempo, como Gastão Vidigal, José Maria Whitaker, Clemente Faria, Clemente Mariani e outros ilustres brasileiros.

Muito antes das instituições culturais receberem incentivos fiscais, José Luiz lançava, com ajuda de outro mineiro, o imortal Antônio Olinto, o Prêmio Walmap, cujo primeiro ganhador foi Octavio de Mello Alvarenga. E a ter intelectuais em seus quadros.

O livro vale, apesar de pequenos detalhes, pois o autor é bem mais jovem e não conheceu muitos dos personagens que cita, mas, na minha idade, é uma obrigação colocar os pingos nos “IS”. O conjunto da obra de Moreira Salles foi grande, mas, no setor bancário, o troféu de seu tempo pertence a José Luiz de Magalhães Lins.

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