Opinião

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A construção da Biodiversidade econômica

Não há muito o que dizer dos resultados da aplicação de R$ 5,5 bilhões para fomentar o turismo e a interiorização

Por Alfredo Lopes

18 Fev 2019, 19h03

Crédito: Divulgação

Segundo dados publicados pelo CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, na categoria de Indicadores Industriais, uma dinheirama absurda foi passada para o governo estadual, suficiente para qualquer gestor minimamente comprometido com esta e as futuras gerações  fazer uma revolução tecnológica ou biotecnológica sem precedentes. Vejamos o total, nos últimos 5 anos, dos Fundos destinados ao desenvolvimento e qualificação acadêmica dos ingressantes na Universidade do Estado do Amazonas. São R$ 7.657.953,00, com os seguintes detalhamentos: o FTI, Fundo de Turismo e Interiorização Do do Desenvolvimento: R$ 4.448.135,00. O FMPES, Fundo das Micro e Pequenas Empresas: R$ 1.003,00. E, finalmente, a UEA: R$ 2.166.139,00. Além da UEA, que conquistou autonomia financeira, e segue conquistando sua reputação de maior universidade multi-campi do país, não há muito o que dizer dos resultados da aplicação de R$5,5 bilhões para fomentar o turismo e as atividades econômicas que o patrimônio natural amazônico oferece. 

Quantos benefícios foram suprimidos com a utilização aloprada desses recursos? Ora, imaginar que a UEA está presente em 62 municípios, por que não criar condições para que os cursos de cada município sejam voltados para a vocação comercial/agro-industrial específica daquela região. É claro que a premissa dessa demanda energética supõe uma  planta de usina fotovoltaica locais e/ou atreladas à Indústria de barcos mais rápidos. Isso resolveria a questão deste insumo desafiador, transporte e energia. Já relatamos, aqui, mais de uma vez, o cardápio de protótipos industriais para atender agro e bionegócios  da EMBRAPA Instrumentação de São Carlos no interior paulista, para onde foram levados os clones de seringueira do Alto Juruá, as melhores configurações de biomolécula dessa espécie que já nos deu dois ciclos de riqueza na Amazônia. Todo o laboratório de nanobiotecnologia não chegou a custar R$3 milhões, suficientes para gerar prestação de serviços para a indústria de artefatos de borracha e pagar os salários dos colaboradores da instituição. 


Com R$1,5 milhão, em equipamentos de pesquisa, a EMBRAPA do Ceará deu suporte às empresas de fruticultura, uma vocação de negócios internacionais daquele Estado, com um retorno extremamente lucrativo, sobretudo porque vivemos a época dos sucos, como sucedâneo saudável das bebidas gaseificadas. E aqui, bem perto de nós, a EMBRAPA Amazônia Ocidental, desenvolveu os superclones de guaraná, Paulinia cupana, que ajudaram a retomar a liderança nacional de produção de guaraína, o agente estimulante da fruta. O mesmo benefício se estende a descoberta de um clone resistente ao “mal das folhas” que inviabilizou historicamente a plantação intensiva para cultivo racional da seringueira, a Hévea brasilienses. A mesma EMBRAPA, na Amazônia Oriental, o CPATU, foi decisiva na domesticação da castanha-do-Brasil, no Amazonas, uma façanha de paulistas ousados, sob a condução de Sérgio Vergueiro,  que substituíram a pecuária dos anos 70, recomendada pela União, em plantio extensivo de castanheiras, cumaru, pupunha, com mais de três milhões entre plantadas e distribuídas por todo o Estado. Plantar Castanha, uma das moedas de maior credibilidade na economia informal da região, é plantar moeda forte e construir uma nova era na bioeconomia libertária, incluindo outras tantas espécies, com agregação de valor,  para as famílias desse fim de mundo sem fim precioso e esperançoso de nossos ribeirinhos. 

*Alfredo é filósofo e ensaísta 

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