Opinião

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A Amazônia entre o Sínodo e o cinismo cultural

Não foram apresentadas muitas novidades sobre os temas propostos

Por Cristóvam Luiz

05 Nov 2019, 13h42

Crédito: Divulgação

Viabilizado pelo Vaticano em suntuosas instalações e ostentando luxúrias e riquezas acumuladas ao longo dos séculos, o Papa Francisco celebrou na Basílica de São Pedro, no domingo 6 de outubro, a missa de abertura do Sínodo da Amazônia, uma assembleia que reúne bispos de todo o mundo, para tratar de assuntos ou problemas concernentes à igreja.

Centralizando sua visão sobre as queimadas havidas recentemente na região amazônica, o Papa frisou que “o fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho. O fogo de Deus é calor que congrega e atrai em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros” declarou. Mas até aí tudo bem.

Depois de vários dias de discussões sobre os assuntos da Amazônia, onde foram ouvidos personagens ditos como especialistas, muitos dos quais proferindo discursos políticos ambientalistas desvinculados da verdade e da vontade da maioria dos povos da região, como o discurso do ex-Diretor do INPE, Carlos Nobre, apontando acusações contra trabalhadores da área de mineração e dos garimpos como se os mesmos fossem criminosos.

Se esqueceu o afamado cientista que os Satélites, os Computadores, os automóveis e aviões, além de centenas de milhares de equipamentos usados pelos servidores daquele Instituto, bem como pelos bispos do Vaticano e pelos demais povos de todas as nações, são fabricados com minérios que também são produzidos pelo trabalho árduo de garimpeiros e mineradores da Amazônia.

Em contraponto de realismos sobre os debates, me pareceu muito expressiva e contundente a análise de um representante indígena do Estado de Roraima, um nativo da aldeia Macuxi, que enfatizou numa das reuniões do Sínodo, que seu povo quer sim, melhorar seus padrões de vida, seus índices de IDH. Reforçando seus argumentos o líder indígena lembrou de seu tempo na aldeia, ora convivendo com morcegos no teto da maloca ou com as pulgas nos pés descalços. Essa declaração ainda está sendo veiculada em vídeo no youtube, que podem ser confirmados por incrédulos  sacerdotes e também, creio eu, para abrir a mente dos brasileiros.

O Sínodo especial, que encerrou também num domingo, dia 27 de outubro, se tornou um dos mais controversos pelo fato de se propor a discutir questões ambientais, além de temas voltados para os problemas da Igreja Católica em territórios amazônicos como a presença da instituição junto aos povos nativos da floresta.

Pelo que se observou do documento final apresentado no encerramento do Sínodo, não foram apresentadas muitas novidades sobre os temas propostos e apontou apenas a trivialidade esperada pelos sacerdotes e agregados políticos que preservam o status quo da Igreja.

No próximo artigo, neste Jornal, apresentarei aos leitores uma análise sobre o documento final do Sínodo, que confirmam as nítidas intenções antidesenvolvimentistas advindas das orientações do Sínodo da Amazônia que a Igreja Católica quer empurrar aos povos amazônicos.

*Cristóvam Luiz é professor, microempresário de mineração e escritor. Contato: cristovamluiz@bol.com.br

 

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