Opinião

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99% de transpiração e 1% de inspiração

Ele descobriu muitas maneiras de nunca inventar a lâmpada, pela experimentação incansável

Por Faber Num

27 Mar 2019, 15h42

Crédito: Divulgação

Será muito difícil encontrar uma história como a de Thomas Alva Edison. Quando tinha 8 anos  passou a frequentar a única escola de uma pequena cidade chamada Port Huron, no estado americano de Michigan. Era portador de uma deficiência auditiva. As aulas eram ministradas pelo padre Engle, transcorridos 3 meses, o  professor, encaminha uma carta para a mãe de Thomas, o seu conteúdo somente seria revelado muito tempo depois.

A mãe passa a educá-lo, ela era uma ex-professora. Assim sendo recebia as aulas de história e ciência, das obras de Willian Shakespeare, dos  romances de Charles Dickens de sua própria mãe. O menino se tornou um exímio leitor com propensão para os livros científicos. Os conhecimentos se restringiam aos que lhe despertavam o interesse. Sua mãe Nancy Eliot Edison constrói um laboratório rudimentar no sótão onde o pequeno Thomas, com 10 anos, passa a realizar experiências nas áreas de física e química.

Quando completou 16 anos deixa a casa dos pais, conseguiu seu sustento trabalhando na linha de trem, como também, cria um jornal para vendê-lo nas viagens; trabalhou com telégrafo. Uma das lições mais importantes de sua vida: “Uma invenção deve, acima de tudo, ser necessária”; ocorreu quando tinha 21 anos, nesta época cria o primeiro modelo, do que atualmente,  conhecemos como urna eletrônica, registrando sua primeira patente, mesmo assim, os políticos da época consideraram-na desnecessária. Ele aplicou suas economias para se instalar em um local ermo chamado Menlo Park, aos 29 anos, circunvizinho da cidade de Nova Iorque; lá ficou conhecido como “Fábrica das Invenções”, um laboratório de criação onde foram concebidos: o microfone de carbono, o contador elétrico e a lâmpada incandescente. Quando atingiu notoriedade mudou-se para um grande centro tecnológico (“Edison Laboratory” em Nova Jersey), o local passaria a produzir:  materiais químicos, novos manejos do ferro e cimento, fabricação de baterias e acumuladores; foram inventados o Cinetoscópio e um protótipo da Câmera de Cinema.

Decorrido alguns anos do falecimento de sua mãe. Visita à casa onde tudo começou. As lembranças lhe sobressaltaram aos olhos  como brasas acesas. No quarto deparou-se com aquela carta cujas palavras foram lidas por Nancy Eliot Edison, muito tempo atrás: “Seu filho é um gênio. Esta escola é muito pequena para ele e não tem professores ao seu nível. Por favor, ensine-o você mesma!” Thomas Edison segura a carta entre as mãos e a lê: “Seu filho é confuso e tem problemas mentais. Não vamos deixá-lo vir mais à escola!”  Ele é tomado pela surpresa. Sua mãe escondera o verdadeiro conteúdo daquela carta, para que pudesse cumprir um propósito notável transformá-lo num gênio.

Quando Thomas Edison resolveu se dedicar às pesquisas da luz elétrica e eletricidade, já existiam estudos anteriores sobre o assunto. O seu  núcleo de interesse “a iluminação incandescente” havia sido desenvolvida, porém, ela permanecia acesa por pouco tempo, pela intensa temperatura o metal queimava com rapidez. Aprender com os erros era uma das regras aplicada rigorosamente aos seus experimentos, tanto é que falhou inúmeros momentos com o propósito de encontrar uma matéria-prima que resistisse à alta temperatura, finalmente, concluíra que fios carbonizados eram resistentes ao calor, de outra sorte, as lâmpadas permaneciam acesas um pouco mais, se bem que precisaria prosseguir seus testes colocando vários tipos de matérias, dentro da lâmpada. Ele descobriu muitas maneiras de nunca inventar a lâmpada, pela experimentação incansável.

O que aprendi com O mago do Melon Park:

  • A paciência:  repetia as experiências buscando os resultados positivos, embora considerando os negativos, pois, por meio deles se aprende a jamais executar daquele jeito; lembro-me dos antigos samurais que repetiam um movimento, com a espada, ao limite do corpo,  para tornarem-no próximo ao perfeito.
  • O entusiasmo: sua disposição era inquebrantável, envolvia-se com uma grande força nas tarefas ligadas ao projeto que estivesse desenvolvendo.
  • O foco: seus pensamentos estavam voltados à meta proposta.
  • A leitura: uma forma de compensar sua ausência da escola, os livros eram seus professores.
  • O empreendedorismo: uma das marcas de sua personalidade, a impressão era que suas ideias estavam dez anos à frente de seu tempo. Inaugurou a produção em grande escala de produtos ao processo de invenção.
  • A praticidade:  uma lição essencial deixada era que suas invenções deveriam atender a uma necessidade, ou melhor, serem úteis.
  • O aprimoramento: de  modo geral Thomas Edison se dedicou ao aperfeiçoamento de objetos criados por outros inventores.
  • O trabalho: seus hábitos eram pouco convencionais, pois, se dedicava horas e horas ao seu ofício, esta frase resume tudo: “O gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração”.

*Faber Num é cronista, ensaísta e poeta



 

      

 

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