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PIB do Amazonas, com dados do IBGE, avança 4,19% no 1º trimestre

Por Marco Dassori

19 Jun 2019, 11h23

Crédito: Divulgação

O PIB do Amazonas avançou 4,19%, em termos nominais, na comparação do primeiro trimestre com igual período de 2018, totalizando R$ 24,72 bilhões. Mas, descontada a inflação, o resultado foi negativo em 0,37%. A revelação é da Seplancti (Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com base nos dados do IBGE.

Entre os setores econômicos, o melhor resultado veio da agropecuária, que apresentou um crescimento nominal de 7,59% no comparativo. Houve um salto de R$ 1,66 bilhão, no primeiro trimestre de 2018, para R$ 1,786 bilhão, no primeiro trimestre deste ano.

Para o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, os números confirmam a perspectiva de crescimento do setor no Estado, assim com a interiorização da economia. O dirigente destaca a participação da piscicultura, fruticultura, mandioca e pecuária para esse resultado, em especial na Região Metropolitana de Manaus, Calha do Solimões e Sul do Amazonas.

“Esse dado é importante e renova a crença de todos nós, produtores rurais, de que o fluxo positivo de crescimento do agronegócio nacional, também já se percebe em nosso Estado, a despeito de gargalos como insuficiência de infraestrutura, de assistência técnica e regularização fundiária. Para a aceleração desse crescimento, é fundamental o fortalecimento de políticas públicas de fomento ao setor”, asseverou.

Empreendedores individuais

Com alta nominal de 5,30% e participação de 52% no PIB amazonense, comércio e serviços ocuparam o segundo lugar no ranking. O crescimento está relacionado com o índice de volume de vendas do comércio varejista ampliado, que teve incremento de 2,06% em relação ao primeiro trimestre de 2018. Mas, no confronto com o quarto trimestre de 2018, houve recuo de 12,46%, em razão do fortalecimento da base de comparação pelo consumo do final de ano.

No entendimento do presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, o setor de serviços cresceu muito no começo do ano em virtude da redução de custos trazida pela difusão dos MEI (microempreendedores individuais).

“A economia vai, aos poucos, se ajustando. E, no caso do comércio, estamos com a expectativa de que os números vão melhorar no segundo semestre. É o melhor momento para a nossa economia, já que temos o Natal, a Black Friday e o Dia das Crianças. O clima melhor, com menos chuvas, também ajuda na construção civil e no varejo especializado de material de construção”, ponderou.

Insegurança jurídica

Na terceira posição, a indústria acumulou R$ 7,041 bilhões nos três meses iniciais de 2019, com crescimento de 3,68% e participação de 30% no PIB do estado, levando em conta a soma de seu subsetores – indústria de transformação, construção civil, serviços industriais de utilidade pública e indústrias extrativas. Mas, descontada a inflação, o desempenho foi negativo.

A indústria de transformação representa 80% do total PIB do setor e apresentou crescimento de 5,59% na comparação com o primeiro trimestre de 2018. O resultado veio do aumento de 9,61% das receitas das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus.

“Ainda estamos em um período de recuperação. Quando se compara os números atuais com os de 2018, verificamos uma melhora. Mas, a observação de mês a mês aponta para uma estagnação. Há muitas incertezas e insegurança jurídica no ar. E a Suframa ainda não conseguiu reunir seu Conselho, apesar de todos os esforços do superintendente Alfredo Menezes”, lamentou o vice presidente da Fieam, Nelson Azevedo.  

Insumos e combustível

Se os setores econômicos fecharam no azul, o mesmo não pode ser dito da rubrica de ‘imposto’, que caiu no confronto entre trimestres, sendo impactada pela redução de 0,40% na arrecadação do ICMS – R$ 2,799 bilhões contra R$ 2,837 bilhões. Em relação ao quarto trimestre de 2018 (R$ 3,069 bilhões), o tombo foi de 8,61%, segundo a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda).

A diretora do Departamento de Arrecadação do fisco estadual, Anny Karoliny Saraiva, informou anteriormente ao Jornal do Commercio que os números do período foram puxados para baixo principalmente pela redução nas compras de insumos para o PIM, em razão do ‘efeito Copa’ ter inflado a base de comparação com maior produção de eletroeletrônicos em 2018.

Outro fator que explica o recolhimento menor foi a redução no valor do PMPF (Preço médio ponderado ao consumidor final) de combustíveis. Segundo a dirigente, embora o consumo tenha se mantido, as promoções nos postos de gasolina inibiram a arrecadação.

 

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